O lema é conhecido: ano novo, vida nova. Mas o que fazer para ter uma nova vida? Como apagar o passado sem a desvantagem de perder a experiência ganha pelo que se viveu? Uma opção é mudar-se para um lugar onde ninguém te conheça — logo, ninguém sabe o que esperar de ti. O Zé Dirceu passou anos vivendo sob falsa identidade, no interior do Paraná, durante a ditadura militar; fez até cirurgia plástica para alterar a aparência; nem a sua esposa sabia do seu passado de militante. Eu já fiz cirurgias plásticas e já morei em outro país, onde ninguém me conhecia, porém sou menos competente que o Dirceu, porque todos os que conheci depois destes feitos acabaram sacando meu passado.
Diante da impossibilidade de ter uma nova vida, eu me contento com um novo blogue. O título se manteve, porque tenho muito carinho por ele (o apego é um grande delator do que somos, tome nota o leitor que estiver planejando imitar o Dirceu), mas o layout está diferente, todo o arquivo de posts foi deletado e a linha editorial agora é outra. Estou otimista. Posso não ter muita astúcia para reinventar a vida, mas a escrita, acho que dou conta. Feliz 2009.



