Certa feita, Luis Fernando Verissimo contou numa crônica que os criadores dos dicionários forjam verbetes para poderem monitorar eventuais cópias. Ou seja, os caras inventam umas palavras e depois ficam de olho nos novos lançamentos, pra ver se elas aparecem — evidência de plágio.
Nessa onda, ele levanta a hipótese de que “esdrúxula” tenha sido uma palavra inventada que acabou ganhando notoriedade. Afinal, quer palavra mais esdrúxula que “esdrúxula”?
A minha palavra preferida do português é “tornozelo”. Acho-a de uma lascívia discreta, escorregadia, misteriosa. É linda! Tornozeeeeelo…
Já “fofoca” é a mais feia. Tem essa dobradinha buzinuda de “fo”, e ainda por cima termina em “foca”, um bicho feio cujo som parece o de uma buzina. Até “fonfonar”, que é sinônimo de buzinar, é mais bonitinha — verbos são sempre charmosos. E a onomatopéica “fonfom” idem: é curtinha, acaba antes de incomodar, o que lhe dá até um ar engraçadinho.
“Fofoca” não tem jeito. É uma palavra muito fanfarrona pra meu gosto.



