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Escrito em 29 Apr 2009. Categoria(s): Literatura.

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Srta. Corações Solitários

Miss Lonelyhearts“A vida, para a maioria de nós, parece uma terrível batalha de dor e desilusão, sem esperança ou alegria. Ah, meus queridos leitores, apenas parece ser assim. Todo homem, não importa quão pobre ou humilde, pode aprender a usar seus sentidos. Vejam o céu pontilhado de nuvens, o mar que se veste de espuma… As melhores coisas da vida são de graça”

Você acredita nisto? Nem o próprio autor destas palavras, Miss Lonelyhearts, o Srta. Corações Solitários. Quando o contrataram para dar conselhos aos leitores de um jornal, apesar de considerar o trabalho um atraso de vida e uma piada, ele o aceitou na esperança de que poderia levá-lo a uma coluna de fofocas e, de qualquer forma, estava cansado de ser repórter. Mas, depois de vários meses, a piada começou a perder a graça; ele percebeu que a maioria das cartas eram súplicas profundamente humildes por conselhos morais ou espirituais, expressões inarticuladas de um sofrimento genuíno. Ciente de que seus correspondentes o levavam a sério, ele agora é obrigado a examinar seus valores, e “esse exame lhe mostra que é a vítima da piada, e não seu perpetrador.”

Publicada em 1933, Miss Lonelyhearts [Imago, 100 p., R$24], do  norte-americano Nathanael West [1903–1940, é uma obra-prima do humor negro. A sobriedade com a qual West se vale da fé para ridicularizar o mítico valor ocidental da satisfação plena [felicidade, se preferir] chega, por vezes, a ser nauseante. O editor de Miss Lonelyhearts talvez esteja certo: nós somos homens de engolir camelos só para fazer força na privada.
[publicado no caderno Dez! em 14/10/08]

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