Castro Alves. Não o convidarei, bonito leitor, a conhecer a vida e obra de Castro Alves só porque ele é um dos [poucos] gênios baianos da literatura. Quero que você se sinta tocado pela sua poesia. Então, o seguinte: Antes de continuar esta leitura, vá ao Google, ou à sua estante, ou a uma biblioteca – onde quer que possa encontrar seus poemas. Fico na espera. Pronto? Que tal escutar O navio negreiro, com Caêts e Bethânia, pra efeitos de ambientação? É o que estou fazendo.

Dois poemas vou mostrar. Fatalidade ele talvez tenha feito para se desculpar com Eugênia, após uma briga:

Pálido e triste, atravessei a vida
Sempre orgulhoso, concentrado e só…
É que eu sentia que um fadário estranho
Meus sonhos todos reduzia a pó.

Mas tu vieste… E acreditei na vida…
Abri os braços… caminhei pr’a luz…
E a borboleta da fatal crisálida
Soltou as asas pelos céus azuis.

Em Mocidade e morte, quando de uma das primeiras hemoptises, disse:

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
[...]
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sobre a lájea fria.

Deixo aqui outros títulos, como a delicada Cestinha de costura; a epopéica Cachoeira de Paulo Afonso ou a sublime Adeus. Se, por mínimo que seja, esses poemas te tocaram, então talvez você se interesse em ler uma leve biografia, escrita recentemente por Alberto da Costa e Silva: Castro Alves — Um poeta sempre jovem [Cia. das Letras, 200 p., R$34,50].


[publicado no caderno Dez! em 05/02/08]


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