Não costumo misturar o blog do Coletivo Muito Barulho Por Nada com o abre parêntese, mas abro uma exceção para o áudio abaixo. Trata-se da gravação de uma performance do Coletivo na qual eu declamo, de improviso, um soneto que havia escrito há tempos, inspirado num trecho do extinto blog de Daniel Galera.
Galera escrevera, a respeito do contexto de criação de Até o dia em que o cão morreu, que chamava a sua atenção “um fenômeno de certa apatia entre as pessoas da minha idade e minha classe social, um excesso de possibilidades que desnorteava as pessoas, tornava tudo no mundo equivalente, e portanto igualmente desinteressante.”
Eu percebo algo similar em muitas pessoas da minha idade e minha classe social, eu inclusive. Sonhamos em fazer um pouco de tudo na vida, mas, sem saber por onde começar — ou ter ânimo para começar –, às vezes optamos por continuar sentados na mesa do bar, sonhando. Nos dá pavor a ideia de escolher um caminho e gastar a carta da escolha.
Estamos parados na encruzilhada das possibilidades infinitas. Mas o poema que Gabriel Camões lançou em seguida é como um abraço amigo. E a música que Cebola Pessoa fez, para ambientar, de improviso, é das coisas mais lindas, que dão nó no olho e cisco no peito da gente.
PS: O Coletivo se apresenta, neste sábado, às 20h, no sebo Praia dos Livros, no Porto da Barra. A entrada é franca. Apareça.



