abre parêntese (

Escrito em 21 Aug 2010. Categoria(s): Cinema.

Maria Antonieta. De Sofia Coppola

Hoje me deu vontade de rever Maria Antonieta, de Sofia Coppola, e assim o fiz. Sou um grande fã de Coppola-filha e creio que ela seja um dos poucos cineastas-autores dessa geração, aqueles diretores que usam o cinema para expressar sua visão de mundo.

Maria Antonieta é um filme muito bom e, ao contrário do que foi vendido e falado à época do seu lançamento em 2006, não é uma biografia da rainha guilhotinada na Revolução Francesa, mas o estudo de uma menina sufocada pelo tédio, por convenções que julgava ridículas e pelas responsabilidades do papel que se via obrigada a cumprir. A desilusão parece ser sempre o ponto de partida para as reflexões da diretora de As Virgens Suicidas e Encontros & Desencontros acerca do que faremos com nossas vidas.  No caso de Antonieta, ela se refugiou no esbanjamento.

Os diálogos do filme são parcimoniosos. Os planos gerais do pátio do Palácio de Versalhes, que torna todos tão ínfimos, solitários, são recorrentes; assim como os closes na protagonista, interpretada pela belíssima Kirsten Dunst. Na cena de abertura, inclusive, uma preguiçosa Antonieta, deitada num divã rodeado por guloseimas, enquanto uma criada lhe põe sapatos, olha diretamente para a câmera, com um sorriso de cumplicidade. Em outra ocasião, ela tornará a nos encarar, como se quisesse que não nos esqueçamos de que aquilo é um filme. O mesmo vale para a piadinha do allstar azul em meio aos sapatos da rainha e do rock no baile de máscaras.

A despretensão em ser uma biografia acaba tornando um tanto deslocados os eventos concernentes à Revolução. A gente (eu, pelo menos) não entende muito bem o porquê da cena na qual Antonieta sai à sacada do palácio e se curva perante a turba escandalosa. E começa a se preocupar com o que pode vir pela frente, com o descarrilamento da narrativa. Mas Sofia não decepciona. A última cena te pega pelo pé: é o que você (eu, pelo menos) nunca esperaria e é exatamente o que deveria ser.

Comente