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[entrevista] Michel Melamed: monossílabos & silêncios dizem muito

Entre o fim de 2009 e meados de 2010 eu era um dos encarregados da seção Orelha da revista Muito (suplemento dominical do jornal da A TARDE), dedicada exclusivamente a entrevistas com escritores. Um dos caras com quem não consegui falar, ou falar apenas metade do que precisava, foi o multitarefas Michel Melamed, que recentemente estrelou a série global Afinal, o que querem as mulheres? e, naquela época, andava ocupadíssimo com a estreia do seu (ótimo) programa no Canal Brasil, Campeões de Audiência. Aqui deixo a primeira e única parte completa da sua lacônica entrevista. Pelo que conheço, e admiro, do trabalho do cara, gosto de pensar em seu silêncio como a resposta às outras perguntas. Não era Clarice Lispector quem dizia que a missão do escritor era falar pouco?

Michel Melamed por Débora 70

Michel Melamed por Débora 70

Dizem que as artes cênicas são para os extrovertidos, enquanto a literatura e poesia são para os tímidos. Como você se encaixa aí?

Fora.

Na ficha do hotel, o que você põe em “profissão”?

Diving.

Como poeta, qual é a sua missão?

Fazer macumba.

Você prefere rir ou chorar?

Chorar.

Qual é a ideia megalomaníaca que gostaria de executar?

Ser poeta.

Quem são os seus Mestres?

Os feiticeiros.

Qual o poema curinga para uma plateia morna?

No lo creo.

A maioria das pessoas vão aos saraus ainda pra prestar atenção ou só pelo social?

Não sei – apesar de não achar que “pelo social” seja “só”.

O que você quer ser quando crescer?

Leve e sexy, doce e forte, pragmático e misterioso.

É dos poetas que elas gostam mais?

Gostar é pouco.

Se Deus existe, o que ele pensa sobre você?

Deus não pensa.

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