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Escrito em 09 Mar 2011. Categoria(s): Bélgica.

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Diário da Bélgica: carnaval & diversão

No último domingo, 8 de março, fui a Binche, cidadezinha da região da Valônia bastante conhecida pelo seu carnaval, patrimônio imaterial da Unesco. Eu ansiava por ver o desfile dos Gilles, os pierrôs belgas, que ainda conservam o modelo de uniforme da Idade Média, com um pavoneante chapéu de plumas; e a guerra de laranjas — que só se realizariam nos dois dias seguintes, mas tudo bem: o domingo estava ensolarado, apesar do frio; a cidade estava cheia de gente, inclusive de crianças fantasiadas; os bares ofereciam musica; e a cerveja, essa dispensa comentários.

Todavia, faltava algo. De início, achei que fosse frustração por não pegar as atrações que mais me interessavam. Lá para o meio da tarde, comecei a me dar conta: do que eu sentia falta, de fato, era de algo acontecendo, um evento principal que focasse a atenção coletiva. Passei então a aguardar, empolgado, a parada que desfilaria pelo centro da cidade. Sem brigas ou confusões (que eu tenha visto), os policiais se centraram em delimitar o percurso da parada, e as pessoas se mobilizaram a achar um bom lugar e esperar. Ah, assim era melhor.

Mas eis que, em vez de carros alegóricos; de pessoas exclusivamente famosas e/ou jovens e/ou bonitas; e da coreografia bem ensaiada, na ponta do pé de cada participante do sambelgódromo, defronto-me com ordinários nativos, fantasiados e em trajes normais, quase nunca sincronizados, com uma musiquinha simplória a lhes fazer fundo. Mas como pareciam divertidos! E não apenas eles, o público também. Ao meu redor, as pessoas dançavam, sorriam, comentavam com gosto a parada.

Foi aí que saquei que estava vivenciado, pela primeira vez, a relatividade cultural da idéia de diversão. Imediatamente, lembrei-me da Museum Night Fever e, a tirar pelo que já vi, parece-me que os belgas estão acostumados a ser os protagonistas de seus eventos; na contramão deste estilo, nós, brasileiros — ou talvez só os baianos; talvez apenas os soteropolitanos –, não concebemos um evento sem distração — de preferência, uma megaprodução.

(Ressalto a megaprodução não para deixar nas entrelinhas uma mensagem de que o brasileiro é qualquer-coisa. Eu acho geniais a cinematografia dos carnavais brasileiros e, ademais, comparar culturas com objetivo de apontar uma melhor que a outra é idiota.)

Não fui muito mais longe no desenvolvimento de minha hipótese, mas ela tem sido a questão que me ocupa nesta semana. Aguardo novos eventos para testá-la — e, se possível, adaptar o meu modo de me divertir enquanto estiver por essas bandas.

 

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