Recentemente, tive acesso a uma coleção incrível de moedas brasileiras antigas e tirei algumas fotos com o intuito de compartilhá-las aqui. Perdão pela má qualidade das imagens.
Uma pataca de 960 réis, de 1818, Brasil Reino Unido a Portugal. Na cara, a inscrição sub q. sign. nata stab. (sob este sinal nasceu e permanecerá). Na coroa, Joannes VI d.g. Port. Bras. et Alg. Rex (D. João VI, por graça de Deus, rei de Portugal, do Brasil e de Algarve).
Moeda de 500 mil-réis de 1855, Império de d. Pedro II. Na coroa, a inscrição Petrus II d.g. const. imp. et perp. Bras. def. (D. Pedro II, por graça de Deus, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil).
Moeda de 2000 réis, de 1906, Primeira República, quando o Brasil ainda era Estados Unidos do Brasil (1891-1934).
Algum tempo depois, e sem estar pesquisando sobre este assunto especificamente, chegou às minhas mãos um livrinho maravilhoso do historiador José Murilo de Carvalho, chamado A formação das almas: o imaginário da República no Brasil (Cia. das Letras) e que rememora os mitos e símbolos que estiveram, e estão, ligados à consolidação de uma república em nosso país. No capítulo que trata da figura feminina da República (como Marianne, a alegoria francesa que, no famoso quadro de Delacroix, é associada à Liberdade), Carvalho argumenta que, ao contrário da França, onde as mulheres tiveram grande participação nas revoluções sociais, no Brasil ela não fez sucesso devido à ausência de participação feminina na esfera de luta política. No fim das contas, a alegoria serviu mais aos chargistas — imagino que deva ser dessa época a expressão “mamar nas tetas da república”.
O mais interessante dessa história, e que tem a ver com moedas, é que, em 1900, ainda no governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca, o deputado Fausto Cardoso denunciou, na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda Joaquim Murtinho por ter mandado imprimir, na cédula de dois mil réis, como alegoria da República, a foto de uma das meretrizes mais conhecidas da capital, uma tal sra. Prates. Outra versão alega ser a moça Laurinda Santos Lobo, sobrinha e amante de Murtinho. De toda sorte, apesar do furdunço que a denúncia causou, levando mesmo à suspensão da sessão, ela não foi contestada.
Para saber mais: www.moedasdobrasil.com.br