buy cialis

Ainda Seremos Felizes (Meet Me In St Louis, 1944) é um dos meus filmes favoritos. É um musical dirigido por Vincente Minnelli, estrelando Judy Garland. Inclusive, o casamento deles foi depois deste trabalho, o que sempre me deixa em dúvida em relação ao foco de maior inveja para com Minnelli: por ter feito este filme ou pela oportunidade de ter Judy cantando ao seu ouvido durante seis anos?

É uma história simples: uma família composta por pai, mãe, avô, quatro filhas e um rapaz, além da empregada, vive feliz e cantante em St. Louis, onde todo ano acontece uma mega Feira Mundial. Naquele ano de 1944, o evento mal começara a ser organizado e já estava dando o que falar. Mas o pai recebeu uma oferta de trabalho em Nova Iorque e anunciou que todos se mudarão para lá depois do Natal (e antes da Feira).

O filme deu duas grandes contribuições para o gênero musical: a primeira foi ter tirado as tramas dos palcos da Broadway; a segunda, ter transformado as canções em elementos narrativos. Porque até então elas eram usadas de forma mais solta — por exemplo, o personagem entrava em um bar, e neste havia um palco, no qual um show estava sendo feito. Vide a letra da canção que Garland canta enquanto observa o novo vizinho, por quem está apaixonada:


Ainda Seremos Felizes: Judy Garland canta The Boy Next Door


Agora Seremos Felizes é todo perfeito: a montagem tem um ritmo legal; o cenário é deslumbrante; a fotografia, idem; e a atuação é digna de aplaudir-se de pé, especialmente a da garotinha Tootie, interpretada por Margaret O’Brian. O papel lhe rendeu até um mini-Oscar.


Ainda Seremos Felizes: Judy Garland e Margaret O’Brian cantam Under the Bamboo Tree

Em 1998, quando a internet ainda se apresentava no Brasil, e verbetes como “blog” ou “redes sociais” não participavam do nosso vocabulário, um grupo de jovens escritores em Salvador se valeu da rede para fazer literatura — inclusive fazendo experimentações com a potencialidade do hipertexto.

Através do Internet Archive (http://www.archive.org), um grande histórico da internet, é possível encontrar armazenados tanto resquícios de sites que não estão mais no ar quanto versões antigas de sites que ainda funcionem. Foi através dele que pude conhecer um dos e-zines (fanzines eletrônicos) pioneiros da Bahia, o K Zine, e também conhecer o Textorama, essa experimentação literária envolvendo a não-linearidade do hipertexto. Caras como Patrick Brock, Wladimir Cazé e outros são vanguardistas; tiro meu chapéu não só pela iniciativa como pelo ótimo texto (coisa da qual ando sentindo falta nos nossos destaques de hoje).

Para conhecer um pouco desta história, talvez a maior iniciativa literária feita na última década aqui na Bahia, leia uma entrevista que fiz com Brock para a Lupa Digital.

Aproveito para indicar, aos que se interessam também por jornalismo cultural, uma busca no Internet Archive pelo finado Claque, assinado por Juliana Protásio, Greice Schneider, Gabriela Almeida, Lucas Falcão, Rodrigo Barreto, Érico Monte e colaboradores. O melhor jornalismo cultural feito aqui desde que me entendo por gente. Difícil encontrar um conjunto tão bom hoje, embora tenhamos, agora espalhadas pelos seus próprios blogs, pessoas preparadíssimas, aqui na Bahia, fazendo jornalismo cultural, a exemplo do crítico de cinema Saymon Nascimento.