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	<title>abre parêntese ( &#187; Cinema</title>
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		<title>Seth Rogen, ícone da geração desambiciosa?</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 01:52:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que me mostraram uma foto de Seth Rogen e disseram-me que ele parecia comigo, passei a acompanhar sua vida profissional como ator. Embora não veja tanta semelhança entre nós, exceto por determinado visual que ele adota de vez em quando, com barba, passei a ver todos os seus filmes, levado pela vaidade de ter, reconhecidamente, um sósia famosinho; ou, vai ver, é para experimentar uma projeção em segundo grau, na qual eu me imagino aquele outro que se imagina um outro.</p>
<p>Apesar de ver seus filmes, eles não são do meu agrado. Geralmente, ele atua em comédias de humor retardado, grosseiro e escatológico, a exemplo de <em>Superbad</em> e <em>Vigia sob Vigilância</em> — talvez, seus maiores sucessos. Uma vez ou outra, faz algo diferente, como <em>Besouro Verde</em>, no qual não se saiu muito bem, porque seu talento é limitado; ele é aquele tipo de ator que só sabe interpretar um personagem, no seu caso, a figura do pós-adolescente, que tem entre 25-35 anos, um trabalhinho meia boca e só quer, mesmo, saber de transar, beber e fumar maconha.</p>
<p>Analisando as coisas nesses termos, elas não parecem nada demais. Deixe-me, então, reformular meu pensamento: Seth Rogen está sempre interpretando tipos sem ambição. Isso é extremamente curioso quando se verifica que seus filmes têm diferentes diretores. <em>50/50</em> é de Jonathan Levine. <em>Pineapple Express</em> é de David Gordon Green. <em>Ligeiramente Grávidos</em> (um dos poucos de que gosto) é de Judd Apatow. Em todos eles, os personagens — não apenas os de Rogen, que fique claro —, embora tenham características parecidas às dos tipos que os estadunidenses costumam chamar de perdedores (<em>losers</em>), não se definem por estas. Na narrativa tradicional do <em>loser</em>, ele tem ciência da sua condição de derrotado profissional, social ou amoroso, e seu mote é, justamente, a superação de alguma destas barreiras. Nas histórias em que Rogen aparece, os perdedores podem até ter sofrido bullying na escola e  não ter conquistado muitas garotas, mas isso não importa.</p>
<p>Pode-se imaginar que seja o caso de essa geração de atores, roteiristas e diretores estar transplantando para a tela a pouco explorada gente ordinária. O que chama mais atenção, nessa história toda, é o fato de essa gente não ter ambição — afinal, uma coisa não está associada a outra necessariamente, ou está?</p>
<p>Quando falo de ambição, não me refiro a ganância. Ter sonhos ou planos para o futuro são ambições, e os personagens e Seth Rogen não têm nada disso. A não ser por <em>Funny People</em>, em que ele faz um jovem garçom que quer se lançar como comediante, não me vem à memória, neste instante, outro filme no qual algum personagem apresente a ambição burguesa de ser bom em algum tipo de trabalho; a ambição machista de experimentar vivências radicais; ou outra qualquer, como formar uma família ou fazer uma viagem. Obviamente, como tipos de sua época, eles tampouco demonstram desejo algum de atuação social ou descoberta espiritual. Não são neobeatniks.</p>
<p>Então são o quê?</p>
<p>Como Seth Rogen só interpreta a si mesmo, posso crer que o estereótipo do desambicioso se encaixa, com as devidas adaptações idiossincráticas, com muita gente da sua geração, que também é a minha, afinal, temos quatro anos de diferença somente. Aumenta a minha certeza o meu estranhamento acerca dessa questão; estranhamento que nasce do reconhecimento da carência de aspirações em amigos e conhecidos. Como eu tenho ambições aos montes (o que não faz de mim alguém melhor, talvez apenas mais susceptível ao discurso dos meus ascendentes), achava que a minha percepção sobre essa ausência identificada em meu círculo social existia por contraposição dos outros a mim. Agora, pensando nos filmes de Seth Rogen, dou-me o ousadia de ampliar a questão: será um aspecto geracional?</p>
<p>Mais importante: que caminho nos trouxe até aqui?</p>
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		<title>Diário da Bélgica: cinema nacional</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 12:32:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei a escrever este texto pensando em atribuir à língua francesa a culpa pelo (meu) desconhecimento do cinema belga &#8212; queria alegar que é comum se esquecer de que aqui também se fala o francês e, por tabela, é fácil conectar qualquer obra francófona com a França. Este, porém, é um argumentado demasiado simplista, que desconsidera as relações vicinais entre os dois países e suas possíveis influências mútuas; além de ignorar o lado neerlandês da cultura belga. No fim das contas, o motivo é o mesmo pelo qual pouco se fala de qualquer outra coisa vinda da Bélgica: a pouca visibilidade internacional do país &#8212; eu só não fui direto ao assunto porque gosto daqui, e julgo o comentário indelicado, ainda que eles próprios saibam disso, e sejam os primeiros a fazer piadas sobre o assunto.</p>
<p>Por sorte, meu senhorio é do ramo do cinema, e tem me ajudado a conhecer as obras-primas locais da sétima arte, entre as quais destaco duas:</p>
<p><strong>Eldorado</strong></p>
<p>Roadmovie dirigido e co-protagonizado por Bouli Lanners, <em>Eldorado</em> (2008) conta a história do encontro entre Yvan (Bouli Lanners) um homem quarentão, sem família ou familiares, ar de durão, e o jovem Didier (Fabrice Adde), viciado em drogas, de caráter oscilante entre a idiotice e a ingenuidade. O <em>rendez-vous</em> se dá quando Yvan chega em casa e flagra Didier tentando roubá-lo. Este, por sua vez, esconde-se debaixo da cama e se recusa a sair de lá por toda a noite, que gastam conversando. Logo, Yvan se compadece do garoto e decide levá-lo para casa de seus pais.</p>
<p>A clássica trama da amizade entre o velho amargo e o jovem cândido ganha nuanças interessantes em <em>Eldorado</em>, que vão sendo mostradas pouco à pouco e que se imbricam de vez em uma insólita seqüência sobre o destino de um cão agonizante que lhes aparece lançado de um trem em movimento.</p>
<p>A fotografia do filme chama especial atenção, tanto pela beleza do cenário, quanto pela batalha do verde das florestas contra o cinza do céu; mesmo conhecendo o clima do país, constantemente nublado,  parece-me um toque expressionista para ressaltar a relação entre os dois protagonistas. Além de bom diretor, Lanners é muito bom ator, e, algumas vezes, sua consternação me lembrou a atuação de Sam Shepard no tocante <em>Cinzas no Paraíso</em>, de Terrence Malick.</p>
<p align="center"><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/3Pc1RJE0yUU" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>O Silêncio de Lorna</strong></p>
<p>Os irmãos Dardenne são figurinhas tarimbadas dos festivais europeus de Cannes, Berlim, Veneza, etc. Deles, eu já tinha visto <em>L&#8217;Enfant</em> (2005) e ouvido muitos elogios por <em>Rosetta</em> (1999), contudo nunca havia ligado para a dupla de realizadores e, por isso mesmo, não sabia do peso e da fama que têm por cá. Os belgas falam de Luc e Jean-Pierre Dardenne com admiração e carinho; um pouco parecido ao modo como os brasileiros tratam Fernando Meirelles.</p>
<p>Deles, vi aqui o <em>Silêncio de Lorna</em> (2008), vencedor da Palma de Ouro de melhor roteiro. Trata-se da história de uma imigrante albanesa, Lorna (Arta Dobroshi), que negociou seu casamento com um belga drogado, Claudy (Jérémie Renier) só para conseguir a cidadania belga, quando na verdade mantém relação amorosa com um conterrâneo, com quem planeja abrir uma lanchonete assim que conseguir pegar um empréstimo no banco (graças à sua cidadania) e tão logo se divorcie de Claudy para acordar um novo casamento, agora com um russo, que pode ganhar cidadania a partir de Lorna. Entretanto, os sócios de Lorna querem acelerar o processo do divórcio matando Claudy, por quem Lorna acaba descobrindo-se penosa.</p>
<p>O <em>Silêncio de Lorna</em> é um thriller que não sustenta a tensão com música de suspense ou truques de montagem, mas na mise-en-scène da charmosa Arta Dobroshi, principalmente em suas disputas com o sócio dos negócios escusos (Fabrizio Rongione) e nas cenas com misteriosos diálogos em albanês não traduzidos.</p>
<p align="center"><iframe title="YouTube video player" width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/R9RSKKOh4Ts" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>[entrevista] Cláudio Marcelo Reis: Hollywood também é para ilustradores</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 17:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ganhar Hollywood não é um sonho apenas de atores e diretores. O ilustrador Cláudio Marcelo Reis, 35, arriscou e está muito bem por lá, obrigado. Ele pode até estar nos bastidores, mas os pôsteres de filmes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_721" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/foto_vivas.jpg"><img class="size-full wp-image-721" title="Cláudio Marcelo Reis: ilustrador baiano em Hollywood" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/foto_vivas.jpg" alt="Cláudio Marcelo Reis: ilustrador baiano em Hollywood" width="250" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Cláudio Marcelo Reis: ilustrador baiano em Hollywood / Fotos: Fernando Vivas / Ag. A TARDE</p></div>
<p>Ganhar Hollywood não é um sonho apenas de atores e diretores. O ilustrador <a href="http://www.claudiomarcelo.com.br/" target="_blank">Cláudio Marcelo Reis</a>, 35, arriscou e está muito bem por lá, obrigado. Ele pode até estar nos bastidores, mas os pôsteres de filmes que faz circulam do Brasil ao Japão. No <em>greencard</em> (visto de permanência) concedido pelos EUA, o reconhecimento: “Estrangeiro de talento extraordinário”.</p>
<p>O baiano, de Feira de Santana, que gostava de desenhar personagens de filmes da Disney, tem justamente este estúdio como um de seus principais clientes. Nesta entrevista, ele conta como foi parar na “maior indústria de sonhos do mundo”.</p>
<p><strong>Da Bahia para Hollywood – como se deu este percurso?</strong></p>
<p>Bem, eu me formei na primeira turma de desenho industrial da Ufba. Cheguei a fazer publicidade, mas larguei. E, desde cedo, comecei a trabalhar com internet, eu gostava muito. Logo que me formei, fui trabalhar no Senai, como diretor de arte para internet. Depois, fui convidado pela Macromedia (empresa que criou o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adobe_Flash" target="_blank">Flash</a>) para trabalhar lá. Me mudei para São Paulo e viajava pelo Brasil, dando aulas de direção de arte com os softwares deles. Fazia também uns trabalhos com publicidade, o maior que fiz foi o projeto Mc Internet. Sabe aqueles computadores que havia nas franquias da McDonald&#8217;s, para os clientes usarem a internet? Eu desenvolvi toda a interface. Foi quando, em 2005, fiz uma viagem de turismo aos EUA, e um amigo meu, que é fotógrafo lá, viu <a href="http://www.claudiomarcelo.com.br/" target="_blank">meu site</a> e disse que conhecia uma empresa de publicidade procurando por um profissional com meu perfil.</p>
<p><strong>Você estava em boa situação no Brasil. O que o levou a optar por lá? Deslumbramento?</strong></p>
<p>Sempre gostei de ilustração, principalmente o que chamam de hiper-realismo: imagens que parecem com fotografias. É um estilo não muito comercial. Aqui se dá muita prioridade à fotografia, mesmo na publicidade. Então, no Brasil, nunca tive um trabalho no qual tivesse vontade de me dedicar 100%. Nessa viagem, a empresa para a qual fiz entrevista gostou do meu trabalho e me ofereceram emprego no dia seguinte. Quanto ao deslumbramento, acho que ele é natural, mas passa. Você tem que ter o pé no chão, independentemente de talento, de grana. Descobri que lá, você pode fazer todos os projetos hoje e amanhã, sem motivos, não ter nenhum.</p>
<p><strong>Quais trabalhos você destaca?</strong></p>
<p><em>Lucas – Um Intruso No Formigueiro</em>, o primeiro pôster que tive aprovado. <em>O Suspeito</em>, cuja imagem que fiz foi usada em todas as peças e na campanha internacional. <em>Alvin &amp; Os Esquilos</em>, que me deu o prêmio de melhor pôster no Key Art Award (uma espécie de Oscar das campanhas de marketing). Um <em>stand-in</em> do <em>Wall·E.</em>..  <em>Stand-in</em> são essas peças colocadas dentro do cinema. Aqui no Brasil, me parece, não há muito investimento, mas lá é grande. Principalmente a Disney. Eu fiz um banco, com o Wall·E e a Eve sentados, para a criançada interagir.Fiz também o stand-in do <em>Toy Store 3</em>&#8230;</p>
<p><strong>Você falou em campanhas internacionais como algo à parte.</strong></p>
<p>Geralmente os estúdios fazem campanhas separadas, sim. Quanto maior o projeto, mais segmentada ela é. A França e o Japão não costumam ter campanhas específicas. Há também muitas campanhas voltadas exclusivamente para o mercado asiático e o latino-americano. Olha só o caso de Ratatouille: a Ásia tem uma visão particular com a imagem do rato. Como fazer uma campanha agradável com um protagonista rato? A gente teve de introduzir o cozinheiro. A Disney não queria, a princípio, mas precisavam da conexão entre rato e homem. E mais: não devíamos mostrar, sob hipótese alguma, o rabo do rato! Eu tenho feito muitas campanhas para a Ásia e percebo que eles têm um apelo mais emocional, enquanto o Ocidente é mais pela ação. [V<em>er o pôster japonês de </em>Ratatouille <em>ao final do post.]</em></p>
<p><strong>O mercado em Hollywood é tão feroz como reza a lenda?</strong></p>
<p>Existe todo um mercado de agências de publicidade que só são voltadas para a campanha de filme. Eu já passei quase um ano trabalhando com uma única campanha. Às vezes, você está competindo com quatro ou cinco outras agências pela conta. Daí você vê o quanto que vale conseguir vender o pôster de umfilme, que é a peça-chave, o abre-alas. Mas São Paulo foi uma boa escola.</p>
<p><strong>Quais os próximos projetos?</strong></p>
<p>Depois do resultado do greencard, fui convidado pelo consulado brasileiro para fazer uma exposição dos meus pôsteres na sua sede, agora em 2010. Também estou com um projeto de livro ilustrado, inspirado em música. E estou começando a trabalhar desvinculado de agências, como independente. Tive até de contratar um agente, para poder me ajudar a vender o peixe. Me perco nos preços. Sou muito artista neste aspecto.</p>
<p><em>Eis <a href="http://www.si-la.org/gallery/v/Professional/creis/" target="_blank">alguns pôsteres feitos por Cláudio Marcelo</a>:</em></p>
<div id="attachment_726" class="wp-caption aligncenter" style="width: 242px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/lucas.jpg"><img class="size-medium wp-image-726" title="Lucas – Um Intruso No Formigueiro, o primeiro trabalho de Reis em Hollywood." src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/lucas-232x300.jpg" alt="Lucas – Um Intruso No Formigueiro, o primeiro trabalho de Reis em Hollywood." width="232" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Lucas – Um Intruso No Formigueiro, o primeiro trabalho de Reis em Hollywood</p></div>
<div id="attachment_724" class="wp-caption aligncenter" style="width: 221px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/alvin.jpg"><img class="size-medium wp-image-724" title="Com Alvin &amp; Os Esquilos, Reis faturou o prêmio de melhor pôster no Key Art Award, o Oscar das campanhas de marketing de filmes." src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/alvin-211x300.jpg" alt="Com Alvin &amp; Os Esquilos, Reis faturou o prêmio de melhor pôster no Key Art Award, o Oscar das campanhas de marketing de filmes." width="211" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Com Alvin &amp; Os Esquilos, Reis faturou o prêmio de melhor pôster no Key Art Award, o Oscar das campanhas de marketing de filmes</p></div>
<div id="attachment_725" class="wp-caption aligncenter" style="width: 213px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/encantada.jpg"><img class="size-medium wp-image-725" title="Pôster da campanha francesa de Encantada" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/encantada-203x300.jpg" alt="Pôster da campanha francesa de Encantada" width="203" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Pôster da campanha francesa de Encantada</p></div>
<div id="attachment_722" class="wp-caption aligncenter" style="width: 223px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/narnia.jpg"><img class="size-medium wp-image-722" title="Pôster para a campanha asiática de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/narnia-213x300.jpg" alt="Pôster para a campanha asiática de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian" width="213" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Pôster para a campanha asiática de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian</p></div>
<div id="attachment_723" class="wp-caption aligncenter" style="width: 219px"><a href="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/ratatouille.jpg"><img class="size-medium wp-image-723" title="ratatouille" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/ratatouille-209x300.jpg" alt="Pôster para a campanha japonesa de Ratatouille. &quot;Não era de bom mostrar o rabo do rato, por questões culturais!&quot;, conta Reis" width="209" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Pôster para a campanha japonesa de Ratatouille. &quot;Não era de bom tom mostrar o rabo do rato, por questões culturais!&quot;, conta Reis</p></div>
<p style="text-align: center;">[publicado originalmente no <a href="http://caderno2mais.atarde.com.br" target="_blank">Caderno 2+</a> em 29/12/2009]</p>
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		<title>[entrevista] Herbert Richers Jr.: &#8220;O público quer ver filme dublado&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 21:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em abril de 2010, quando ainda estava no A TARDE, comecei a elaborar uma matéria sobre a linguagem dos desenhos animados, usando como gancho o então recém lançado Animaq – Almanaque dos Desenhos Animados (Matrix, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_637" class="wp-caption alignleft" style="width: 94px"><img class="size-full wp-image-637 " style="margin: 5px;" title="Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/Close-Up.png" alt="Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal" width="84" height="125" /><p class="wp-caption-text">Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal</p></div>
<p>Em abril de 2010, quando ainda estava no A TARDE, comecei a elaborar uma matéria sobre a linguagem dos desenhos animados, usando como gancho o então recém lançado <em><a href="http://compare.buscape.com.br/animaq-almanaque-dos-desenhos-animados-9788577881468.html?pos=1" target="_blank">Animaq – Almanaque dos Desenhos Animados </a></em>(Matrix, 320 p., R$ 45), do jornalista Paulo Gustavo Pereira. Uma das pessoas com as quais me senti no dever de ouvir, para a reportagem, foi Herbert Richers Jr., 54, quem hoje está à frente do estúdio de dublagem que o Herbert Richers pai (1923-2009) fundou em 1956 e de cuja vinheta &#8212; &#8220;versão brasileira: Herbert Richers&#8221; &#8212; está grudada para sempre na memória de tanta gente.</p>
<p>Infelizmente, como é tão comum no jornalismo, a matéria não chegou a ficar pronta. Porém a história por trás Herbert Richers S/A é tão bacana, que não posso deixar de compartilhá-la. Eis, abaixo, a entrevista com Herbert Richers Jr.</p>
<p>Antes, um <em>spoiler: </em>Herbert Richers pai nunca dublou nada. Frustrante? Não responda sem ler até o final:</p>
<p><strong>Como surgiu a Herbert Richers S/A?</strong></p>
<p>Papai [<em>nascido em Araraquara, São Paulo</em>] veio para o Rio com 17 anos, trabalhar no laboratório do meu tio-avô <a href="http://books.google.com.br/books?id=cqt35OogAQYC&amp;lpg=PA461&amp;ots=1jTN-UU2H5&amp;dq=Alexandre%20Wulfes&amp;pg=PA574#v=onepage&amp;q=Alexandre%20Wulfes&amp;f=false" target="_blank">Alexandre Wulfes</a> [<em>FAN Filmes</em>]. Era o maior laboratório de cinema daquela época no Rio. Ali ele aprendeu tudo de fotografia e, depois, começou a fazer direção de fotografia no telejornal da <a href="http://www.atlantidacinematografica.com.br/sistema2006/historia.asp" target="_blank">Atlântida</a>, para o <a href="http://www.kinoplex.com.br/empresa.asp" target="_blank">Luiz Severiano Ribeiro</a>. Quando se casou com a minha mãe, pediu um aumento para o Severiano, o Severiano não deu, ele falou: &#8220;Então eu vou ser seu concorrente&#8221;. (Era o que ele contava, não sei o quanto há de verdade nesta história.) Foi quando ele saiu, em 1950, e montou uma empresa de telejornais na qual produzia o <em>Jornal da Tela</em>, de enorme sucesso. Ele era muito ágil; para se ter uma ideia, o jogo da tarde do Maracanã passava à noite no cinema [<em>ainda não havia TV, os telejornais eram exibidos diariamente nos cinemas</em>]. Além do mais, ele montou uma rede de distribuição no Brasil para difundir o <em>Jornal da Tela</em>. E aí as pessoas do cinema falaram: &#8220;Puxa, Herbert, a coisa mais complicada, que é uma distribuidora, você tem. Por que você não começa a fazer longametragem?&#8221; Ele resolveu experimentar e produziu <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xva9dcIXhb0" target="_blank">Sai de Baixo</a></em> (1956) com um orçamento muito pequenininho. Como deu certo, fez muito sucesso, ele continuou a produzir chanchadas. A Herbert Richers chegou a produzir oito filmes por ano, nas décadas de 1950 e 1960. E não tinha lei de incentivo, era bilheteria. Eram, aliás, essas chanchadas que pagaram <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9eDeIKxZ48c" target="_blank">Vidas Secas</a> </em>(1963), <em><a href="http://www.65anosdecinema.pro.br/1618-FOME_DE_AMOR_(1968)" target="_blank">Fome de Amor</a></em> (1968), <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qhO_PrwShIw" target="_blank"><em>O Assalto Ao Trem Pagador</em></a> (1962) &#8212; filmes que ele também produziu.</p>
<p><strong>E quanto às dublagens?</strong></p>
<p>A dublagem começou porque o som direto nas cenas externas era muito ruim e era muito caro de fazer, então papai dublava tudo o que não era feito em estúdio. Para isso ele montou o estúdio de dublagem.  Quando o Walt Disney veio ao Brasil, pela <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Truman" target="_blank">campanha de ufanismo e cooperação que houve após a II Guerra Mundial</a>, eles ficaram amigos e, naquela época, o Disney costumava levar todo o elenco para os Estados Unidos, para dublar seus filmes. Ao conhecer papai, ele propôs: &#8220;Por que você não começa a dublar para mim?&#8221; E assim comecou a história das dublagens. Em 1970, quando chegou a inflação absurda, a bilheteria não pagava mais nada, e papai nunca acreditou em dinheiro subsidiado; assim ele enjoou da produção, dizia: &#8220;Quando voltar a haver uma indústria, e isto voltar a ser um negócio, no qual a bilheteria paga a produção, eu volto a produzir.&#8221;</p>
<p><strong>Naquela época já havia dubladores aptos para o trabalho?</strong></p>
<p>Não. A grande maioria da primeira leva de dubladores era formada por atores de rádio, depois da TV. Todos aprenderam fazendo. Se por um lado havia a experiência de dublar os filmes feitos aqui, agora o desafio era proporcionar a ilusão de que o ator estrangeiro estava falando em português.</p>
<p><strong>Teu pai dublava também?</strong></p>
<p>Nunca dublou nem dirigiu. Ele era um empresário.</p>
<p><strong>As novas tecnologias tornaram prescindível o bom dublador?</strong></p>
<p>A dublagem hoje tem recursos incríveis, como o <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pro_Tools" target="_blank">Pro Tools</a></em>, que põe no lugar a fala, encurta, estica&#8230; Você tem uma tecnologia que faz quase milagres, que põe cantor que desafina afinado, e por aí vai, mas um bom ator de dublagem e insubstituível. Sempre vai ser.</p>
<p><strong>Existe alguma richa entre dubladores e atores?</strong></p>
<p>Não, porque todos os dubladores são atores.  Havia preconceito, disso sim já ouvi falar, mas hoje 100% dos atores de dublagem são atores de teatro e TV, embora muitos vivam só de dublagem, porque atualmente se paga muito bem. Aliás, bons dubladores são bons atores, mas a recíproca não é verdadeira.</p>
<p><strong>Como alguém pode se tornar um ator de dublagem?</strong></p>
<p>Hoje há escolas nas quais se ensinam as técnicas. É difícil dar o tom certo emoção, por as vogais nos lugares.</p>
<p><strong>Como anda o mercado para as empresas?</strong></p>
<p>Dubla-se menos filmes que antigamente, quando você tinha só canais abertos e a maior parte do que passava neles era enlatado. Hoje em dia, quase todo o conteúdo tem produção nacional. Você não tem mais enlatado na TV aberta, e o da TV a cabo é legendado. Houve um tempo em que havia um mercado grande no DVD, mas, com a pirataria e a internet, esse mercado acabou, a venda do DVD não paga mais a dublagem. Hoje se dubla mais para o cinema, é um mercado em ascensão. O público quer ver filme dublado.</p>
<p><strong>No Brasil?!</strong></p>
<p>No Brasil! Talvez o público da zona sul do Rio de Janeiro, dos Jardins de São Paulo &#8212; talvez este público, culturalmente, não aprecie a dublagem, mas a maioria sim, porque, por mais rápido que você leia,  você perde algo.  Filmes não são feitos para ter legenda.</p>
<p><strong>Há quem argumente que a dublagem te tira a possibilidade de apreciar o trabalho vocal dos atores: impostação, emoção, etc.</strong></p>
<p>Aí é uma questão de escolha, o que você prefere perder: a imagem ou a interpretação original? Eu acho que o custo-benefício da legenda é pior. Você se lembra de <em>Família Dinossauro</em>? Pois a dublagem brasileira era considerada pela Disney melhor que o áudio original. Lembra do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=w0aps6rE1aM" target="_blank">bebê que falava &#8220;de novo&#8221;</a>? Se ouvir o original, não tem tanta graça. Outro exemplo é o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=I8xz3fyu2EQ" target="_blank">Dr. Smith, do <em>Perdidos no Espaço</em></a>, a voz nacional é melhor que a americana, mais engraçada. As pessoas também falam das novelas mexicanas, mas assista à novela em espanhol para você ver &#8212; a dublagem melhora a novela, e muito. O Brasil faz um dos melhores trabalhos de dublagem do mundo.</p>
<p><strong>Vocês atendem a partir da demanda dos canais ou trabalham com estúdios?</strong></p>
<p>A gente trabalha com estúdios. Algumas emissoras às vezes compram material que não tá dublado. Antgiamente, o SBT e a Globo, principalmente a  Globo, faziam muito isso. Hoje em dia quem contrata a dublagem é o produtor &#8212; é a Warner, a Metro, a Disney, etc.</p>
<p><strong>Migrando o assunto para o âmbito dos desenhos animados, li o prefácio que você escreveu para o <em>Animaq </em>e percebi o quanto você os aprecia. Quais particularidades você destacaria na linguagem dos desenhos animados?</strong></p>
<p>O desenho pode qualquer coisa e, hoje com as novas tecnologias, tudo tá virando desenho animado. <em>Avatar </em>(2010) é a maior prova disso. O grande salto de <em>Avatar </em>é ele ser um grande filme de animação que não parece ser filme de animação.</p>
<p><strong>Como você explica o fato de, até os anos 1980, haver predominantemente produções norte-americanas na TV brasileira, e de repente vir um bum do Japão?</strong></p>
<p>Todos os produtos japoneses que nós aqui dublamos foram via distribuidoras americanas. A difusão de produtos para a TV tem se dado assim: ou o exibidor vai às feiras, os compra e paga a dublagem, ou uma companhia (quase sempre americana) compra o formato e o distribui. Os japoneses, até hoje, não têm uma grande rede de distribuição. Sem contar o advento das multinacionais: companhias de animação de origem americana atuando no Japão e estúdios de origem japonesa atuando nos EUA, como a Sony. Mas, falando do início, os japoneses se firmaram fazendo animações muito baratas, nos moldes do <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ALzDcMDhf2o" target="_blank">Speed Racer</a>, </em>que foi a primeira grande animação japonesa no Brasil. Era muito barata porque continha poucos movimentos, cenários simples, e ainda era computadorizada, já naquela época.</p>
<p><strong>Por fim, como fã, quais desenhos que passam ou passaram na TV brasileira fizeram história?</strong></p>
<p><em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JUi7K2RMR1s" target="_blank">A Pantera Cor-De-Rosa</a></em>, que, quando começou a passar, nos anos 1960, era muito moderno; e também <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DC5YMHYKEbw" target="_blank">Caverna do Dragão</a></em>, nos anos 1980, que provocou uma febre na audiência.</p>
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		<title>Nota pretensiosa para os jovens artistas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 23:35:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[linguagem artística]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Nome Não É Johnny]]></category>
		<category><![CDATA[narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Obsessão Compulsiva]]></category>
		<category><![CDATA[revolução tecnológica]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[vanguarda]]></category>
		<category><![CDATA[web]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">
<p>Quando Orson Welles fez <em>Cidadão Kane</em>, em 1941 (e aos 25!), tratou de revolucionar as possibilidades da linguagem cinematográfica. Uma história não-linear, cheia de flashbacks, com ângulos inusitados, os atores deslocando-se em um mesmo enquadramento, a profundidade de campo &#8212; todos estes elementos foram trabalhados para cunhar uma obra fílmica que é divisora de águas na história do cinema. E da arte.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>Pois hoje eu me indagava: como seria possível fazer um novo <em>Cidadão Kane</em>, isto é, uma obra artística inovadora? Com o diferencial de que eu não pensava no cinema mas na internet.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>Tenho a sensação de que as linguagens artísticas foram exploradas a tais níveis que é difícil inová-las, ir adiante de onde já chegamos. Isto me parece patente quando notamos que a originalidade já não é mais um valor tão cotado quanto o foi até meados do século XX.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>Porém, nossa geração tem um trunfo: a linguagem multimídia. Uma convergência facilitada de texto, imagem estática, som, audiovisual, mesmo plasticidade. Assim, que se as gerações anteriores nos legaram linguagens artísticas em alto grau de desenvolvimento, talvez seja nossa missão &#8212; não me entendam de modo determinista, trato apenas de dar sentido ao cenário que aí está &#8212; experimentar a fusão. Nunca me esquecerei de uma exclamação do amigo <a href="http://nomedacousa.tumblr.com/" target="_blank">Pardal</a> quando conversávamos sobre a internet: &#8220;Dá pra fazer um poema que pisca!&#8221;</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>Mas não devemos nos ater apenas às possibilidades tecnológicas; é preciso considerar o modo como elas se inseriram em nossas vidas, como elas são utilizadas no nosso dia-a-dia. Quando penso nesta ressalva, me vem à mente os ARGs (<em>Alternate Reality Games</em>, ou Jogos de Realidade Alternativa). Trata-se, grosso modo, de uma evolução do RPG que faz uso da internet, sobretudo das redes sociais. Os exemplos que conheço foram todos desenvolvidos por empresas e envolvem um time com diversas funções &#8212; desde um &#8220;roteirista&#8221; e um &#8220;diretor&#8221; (ou o mestre, para ficar na comparação do RPG), passando por atores que encarnam os personagens e encarregados de monitorar os perfis destes personagens nas redes sociais e de inserir conteúdo (pistas) na web.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>A característica que mais me chama atenção nos ARGs é como eles lidam com o tempo e o espaço para montar o jogo. Há um tempo bem delimitado para que ele comece e acabe. O que implica num tempo de pré-produção que monta todo o cenário na web (perfis, blogues, comunidades, vídeos) até a hora de abrir a Toca do Coelho, se bem me lembro do jargão exato, para os jogadores entrarem. Em seguida, o contato com os jogadores se dá pela internet, quase diariamente, e também há um momento muito esperado: aquele em que os atores e alguns dos jogadores travam um encontro cara a cara.</p>
</div>
<div id="_mcePaste">
<p>Para aqueles que nunca ouviram falar dos ARGs, eis cá um exemplo, a sinopse do ARG <em>Obsessão Compulsiva</em>, feito entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008 para divulgar o filme <em>Meu Nome Não É Johnny</em>:</p>
</div>
<blockquote>
<div id="_mcePaste">Clarice e Déborah. Duas garotas que entraram na internet clamando por ajuda. Segundo elas, estavam sendo perseguidas por membros de uma empresa chamada Phyto Pharma Brasil ,uma empresa farmacêutica especializada em manipulação de remédios que supostamente visam combater os males da depressão. Tudo isso começou quando Clarice resolveu descobrir os motivos da morte de seu irmão Fernando, morto com um tiro na nuca. Sabe-se que Fernando foi internado no mesmo hospital que João Guilherme Estrella, personagem principal do filme. O mais estranho é: porque Fernando tatuaria coisas em sua pele? O que ele queria dizer com aquelas figuras tão estranhas? E o quê a Phyto Pharma Brasil esconde por trás de suas atividades? Será que estarão eles envolvidos com o tráfico internacional, ou praticam a Eutanásia?</div>
</blockquote>
<div>
<p>Para se ter uma ideia de como a história se desenvolve, veja que foi criado um <a href="http://claricesantos.blogspot.com/" target="_blank">blogue da Clarice</a>, um <a href="http://www.flickr.com/photos/deborahl/" target="_blank">flickr da Débora</a>, mesmo um site fajuto da tal indústria farmacêutica, que não está mais no ar.</p>
</div>
<div>
<p>Quem se interessar pelo assunto pode saber muito mais <a href="http://www.argbrasil.net/" target="_blank">aqui</a>. A mim, agora, me interessa apenas usar o ARG como um bom exemplo de produto narrativo que lida bem com o tempo e o espaço na hora de interagir com o público; e lida bem com as mil possibilidades que este público tem de chegar à história sem ser prejudicado &#8212; a característica do hipertexto.</p>
</div>
<div>
<p>Tudo isto para apontar que, a meu ver, o desafio de criar uma narrativa multimídia na internet não está em se prender apenas às variadas linguagens; talvez esta seja a parte mais fácil. Difícil mesmo é encontrar um modo de controlar a progressão dramática de modo a permitir que o espectador que embarque nela possa fruí-la sem se prejudicar pelas encruzilhada do hipertexto.</p>
</div>
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		<title>Maria Antonieta. De Sofia Coppola</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 06:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje me deu vontade de rever Maria Antonieta, de Sofia Coppola, e assim o fiz. Sou um grande fã de Coppola-filha e creio que ela seja um dos poucos cineastas-autores dessa geração, aqueles diretores que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-461" title="marie-antoinette" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2010/08/marie-antoinette.jpg" alt="" width="424" height="281" /></p>
<p>Hoje me deu vontade de rever <em>Maria Antonieta</em>, de Sofia Coppola, e assim o fiz. Sou um grande fã de Coppola-filha e creio que ela seja um dos poucos cineastas-autores dessa geração, aqueles diretores que usam o cinema para expressar sua visão de mundo.</p>
<p><em>Maria Antonieta </em>é um filme muito bom e, ao contrário do que foi vendido e falado à época do seu lançamento em 2006, não é uma biografia da rainha guilhotinada na Revolução Francesa, mas o estudo de uma menina sufocada pelo tédio, por convenções que julgava ridículas e pelas responsabilidades do papel que se via obrigada a cumprir. A desilusão parece ser sempre o ponto de partida para as reflexões da diretora de <em>As Virgens Suicidas </em>e <em>Encontros &amp; Desencontros</em> acerca do que faremos com nossas vidas.  No caso de Antonieta, ela se refugiou no esbanjamento.</p>
<p>Os diálogos do filme são parcimoniosos. Os planos gerais do pátio do Palácio de Versalhes, que torna todos tão ínfimos, solitários, são recorrentes; assim como os closes na protagonista, interpretada pela belíssima Kirsten Dunst. Na cena de abertura, inclusive, uma preguiçosa Antonieta, deitada num divã rodeado por guloseimas, enquanto uma criada lhe põe sapatos, olha diretamente para a câmera, com um sorriso de cumplicidade. Em outra ocasião, ela tornará a nos encarar, como se quisesse que não nos esqueçamos de que aquilo é um filme. O mesmo vale para a piadinha do allstar azul em meio aos sapatos da rainha e do rock no baile de máscaras.</p>
<p>A despretensão em ser uma biografia acaba tornando um tanto deslocados os eventos concernentes à Revolução. A gente (eu, pelo menos) não entende muito bem o porquê da cena na qual Antonieta sai à sacada do palácio e se curva perante a turba escandalosa. E começa a se preocupar com o que pode vir pela frente, com o descarrilamento da narrativa. Mas Sofia não decepciona. A última cena te pega pelo pé: é o que você (eu, pelo menos) nunca esperaria e é exatamente o que deveria ser.</p>
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		<title>“I will be your tootsie wootsie…”</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 01:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[YouTube]]></category>
		<category><![CDATA[Ainda Seremos Felizes]]></category>
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		<category><![CDATA[Margaret O'Brian]]></category>
		<category><![CDATA[Meet Me In St. Louis]]></category>
		<category><![CDATA[Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Vincente Minnelli]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda Seremos Felizes (Meet Me In St Louis, 1944) é um dos meus filmes favoritos. É um musical dirigido por Vincente Minnelli, estrelando Judy Garland. Inclusive, o casamento deles foi depois deste trabalho, o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[</p>
<p><em>Ainda Seremos Felizes</em> (<em>Meet Me In St Louis</em>, 1944) é um dos meus filmes favoritos. É um musical dirigido por Vincente Minnelli, estrelando Judy Garland. Inclusive, o casamento deles foi depois deste trabalho, o que sempre me deixa em dúvida em relação ao foco de maior inveja para com Minnelli: por ter feito este filme ou pela oportunidade de ter Judy cantando ao seu ouvido durante seis anos?</p>
<p>É uma história simples: uma família composta por pai, mãe, avô, quatro filhas e um rapaz, além da empregada, vive feliz e cantante em St. Louis, onde todo ano acontece uma mega Feira Mundial. Naquele ano de 1944, o evento mal começara a ser organizado e já estava dando o que falar. Mas o pai recebeu uma oferta de trabalho em Nova Iorque e anunciou que todos se mudarão para lá depois do Natal (e antes da Feira).</p>
<p>O filme deu duas grandes contribuições para o gênero musical: a primeira foi ter tirado as tramas dos palcos da Broadway; a segunda, ter transformado as canções em elementos narrativos. Porque até então elas eram usadas de forma mais solta — por exemplo, o personagem entrava em um bar, e neste havia um palco, no qual um show estava sendo feito. Vide a letra da canção que Garland canta enquanto observa o novo vizinho, por quem está apaixonada:</p>
<p align="center"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OWqsSnxGDTE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/OWqsSnxGDTE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br \>Ainda Seremos Felizes<em>: Judy Garland canta</em> The Boy Next Door</p>
<p><br \><em>Agora Seremos Felizes</em> é todo perfeito: a montagem tem um ritmo legal; o cenário é deslumbrante; a fotografia, idem; e a atuação é digna de aplaudir-se de pé, especialmente a da garotinha Tootie, interpretada por Margaret O’Brian. O papel lhe rendeu até um mini-Oscar.</p>
<p align="center"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/w82px9UBntQ&#038;hl=pt-br&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/w82px9UBntQ&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br \>Ainda Seremos Felizes: <em>Judy Garland e Margaret O&#8217;Brian cantam</em> Under the Bamboo Tree</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Literatura, jornalismo cultural na Bahia: um pouco da história recente</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/04/literatura-jornalismo-cultural-na-bahia-um-pouco-da-historia-recente/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 15:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1998, quando a internet ainda se apresentava no Brasil, e verbetes como “blog” ou “redes sociais” não participavam do nosso vocabulário, um grupo de jovens escritores em Salvador se valeu da rede para fazer literatura — inclusive fazendo experimentações com a potencialidade do hipertexto.</p>
<p>Através do Internet Archive (<a href="http://www.archive.org" target="_blank">http://www.archive.org</a>), um grande histórico da internet, é possível encontrar armazenados tanto resquícios de sites que não estão mais no ar quanto versões antigas de sites que ainda funcionem. Foi através dele que pude conhecer um dos e-zines (fanzines eletrônicos) pioneiros da Bahia, o <a href="http://web.archive.org/web/*/http://www.kzine.cjb.net" target="_blank">K Zine</a>, e também conhecer o <a href="http://web.archive.org/web/*/http://www.textorama.cjb.net" target="_blank">Textorama</a>, essa experimentação literária envolvendo a não-linearidade do hipertexto. Caras como <a href="http://palavrascruzadas.blogspot.com/" target="_blank">Patrick Brock</a>, <a href="http://silvahorrida.blogspot.com">Wladimir Cazé</a> e outros são vanguardistas; tiro meu chapéu não só pela iniciativa como pelo ótimo texto (coisa da qual ando sentindo falta nos nossos destaques de hoje).</p>
<p>Para conhecer um pouco desta história, talvez a maior iniciativa literária feita na última década aqui na Bahia, leia uma <a href="http://www.lupa.facom.ufba.br/2009/04/um-escritor-saido-da-internet/" target="_blank">entrevista que fiz com Brock</a> para a Lupa Digital.</p>
<p>Aproveito para indicar, aos que se interessam também por jornalismo cultural, uma busca no Internet Archive pelo finado <a href="http://web.archive.org/web/*/http://www.claque.com.br" target="_blank">Claque</a>, assinado por Juliana Protásio, Greice Schneider, Gabriela Almeida, Lucas Falcão, Rodrigo Barreto, Érico Monte e colaboradores. O melhor jornalismo cultural feito aqui desde que me entendo por gente. Difícil encontrar um conjunto tão bom hoje, embora tenhamos, agora espalhadas pelos seus próprios blogs, pessoas preparadíssimas, aqui na Bahia, fazendo jornalismo cultural, a exemplo do crítico de cinema <a href="http://esperandogodard.blogspot.com/" target="_blank">Saymon Nascimento</a>.</p>
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