<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>abre parêntese ( &#187; Crônica</title>
	<atom:link href="http://abreparentese.com/category/cronica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://abreparentese.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 18 May 2010 06:39:33 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Eu era um patinho feio</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/12/eu-era-um-patinho-feio/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/12/eu-era-um-patinho-feio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 04:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Clipagem]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[A Tardinha]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[O Patinho Feio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=429</guid>
		<description><![CDATA[“Fo-en!  Fo-en!”
Foen,  aqui na Bahia, é sinônimo de fanho, aquela pessoa que tem voz  nasalada.
“Fo-en!  Fo-en!” — era assim que as outras crianças me perturbavam.
Eu  nasci com algumas deformações no lado direito do rosto. (Não gosto  dessa palavra deformação, porque ela está ligada a idéias ruins,  e aí [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">“Fo-en!  Fo-en!”</p>
<p style="text-align: left;">Foen,  aqui na Bahia, é sinônimo de fanho, aquela pessoa que tem voz  nasalada.</p>
<p style="text-align: left;">“Fo-en!  Fo-en!” — era assim que as outras crianças me perturbavam.</p>
<p style="text-align: left;">Eu  nasci com algumas deformações no lado direito do rosto. (Não gosto  dessa palavra deformação, porque ela está ligada a idéias ruins,  e aí eu fico me sentindo um ogro. Escrevi-a porque é mais entendível  do que o termo que os médicos usam para nomear um problema como o meu:  má formação congênita.) Tinha uma espécie de verruga logo abaixo  do olho; não tinha o osso que dá forma à maçã do rosto; tinha a  boca torta e maior desse lado; tenho até hoje uma saliência do lado  do nariz por conta de um canal lacrimal que, digamos, estufou; e também  sou fanho. Contudo, dessas “más formações congênitas” as outras  crianças não faziam troça, mas perguntas, do tipo: “o que aconteceu  com você pra ser <em>assim</em>?” “É-É.. De nascença”, dizia  eu cabisbaixo, numa vozinha triste, cheio de pena de mim mesmo por me  achar um anormal, alguém diferente de um modo ruim.</p>
<p style="text-align: left;">Zombaria  era me chamar de “fo-en! fo-en!” Eu abria o berreiro e ia correndo  pro colo da minha vó, que me consolava dizendo que eu não tinha que  me importar com o que diziam sobre minha aparência física, e sim sobre  o meu comportamento, as minhas idéias. “Por isso, estude bastante,  leia bastante, para ser bem inteligente. Pois pessoas inteligentes nunca  são motivo de chacota”, me dizia ela.</p>
<p style="text-align: left;">Quando  eu ganhei minha primeira coleção de livros, a história que mais me  cativou foi a do patinho feio. Lia e relia, e relia, e relia; sempre  sonhando com o dia em que eu cresceria e, talvez, me tornasse um belo  cisne, fazendo desaparecer como que por mágica todas as minhas “má  formações congênitas”. No fundo, não acreditava na minha avó,  dizendo que eu devia não me importar com a aparência. Porque, puxa!,  eu me sentia incomodado com as perguntas e falações, eu queria que  elas parassem.</p>
<p style="text-align: left;">E  pararam. Em parte porque as outras crianças, como todas as pessoas,  aprenderam com o tempo que há certas coisas que têm de ser ditas  com bastante cuidado, para não magoar ninguém; em parte porque fiz  algumas cirurgias plásticas. Mas, sobretudo, porque minha vó estava  certa: se eu não tivesse lido e estudado bastante, de nada adiantariam  as cirurgias. Eu ia ter uma boca ajeitada, porém só ia sair bobagem  dela, e eu continuaria sofrendo deboche. Seria um cisne desafinado.</p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><br />
</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<h4>[cronicazinha escrita para um projeto do meu editor, Luis Camargo, com crianças da 1a série da rede de ensino público do Rio de Janeiro e publicado em A Tardinha, na edição de hoje]</h4>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/12/eu-era-um-patinho-feio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Resposta a &#8220;Jantar com o bofe&#8221;</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/09/resposta/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/09/resposta/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 07:31:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[encontros]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[jantar fora]]></category>
		<category><![CDATA[let's get it on]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante]]></category>
		<category><![CDATA[trilha sonora romântica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=409</guid>
		<description><![CDATA[Recebi um email com um crônica na qual a narradora contava, com inadequada histeria (o mundo ainda é machista e preconceituoso para com as mulheres), a odisseia que é a preparação feita por uma mulher quando é convidada para jantar. É preocupar-se com a forma; fazer mão e pé; e escova e hidratação; é pensar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Recebi um email com um crônica na qual a narradora contava, com inadequada histeria (o mundo ainda é machista e preconceituoso para com as mulheres), a odisseia que é a preparação feita por uma mulher quando é convidada para jantar. É preocupar-se com a forma; fazer mão e pé; e escova e hidratação; é pensar na roupa certa; aceitar o aperto dos sapatos bonitos e o desconforto da calcinha sexy. É tanta coisa, que já esqueci metade, embora tenha me esforçado para memorizar, juro.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Contudo, durante a leitura me pareceu que ela tentava fortalecer seu ponto alegando um total descompromisso da parte masculina para com a situação. &#8220;Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo &#8216;Vamos jantar amanhã?&#8217;.&#8221; Daí resolvi explicar um pouco o lado masculino também.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Oscar Wilde escreveu: assim como os homens amam com os olhos, as mulheres amam com os ouvidos. Essa frase tem lá sua verdade, mas não está bem calibrada. Podemos dizer assim: os homens são extremamente visuais, enquanto as mulheres trabalham todos os seus sentidos. E mais &#8212; trabalham a sua imaginação. As mulheres são muito afeitas à narrativa, ao contexto, à progressão das coisas. Assim, convidá-la para jantar é fazê-la entrar em um filme, desde o momento em que abre a porta da casa até o momento em que volta a abri-la. Cada encontro, para ser bem sucedido, tem de dar um trabalho digno de produção hollywoodiana.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Primeiro, o cenário. A locação é muito importante para as mulheres. Homens não costumam reparar nela, e os filmes pornô são a maior prova disto. O seu primeiro desafio, então, é escolher um restaurante que seja minimamente badalado mas sem perder o tom intimista, e com boa decoração.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Percebeu? São três qualidades extremamente abstratas, que envolvem mais que a mera visualização. Você conhece um lugar assim? Difícil. Você só frequenta este tipo de ambiente quando convida mulheres para jantar, porque, no dia-a-dia, qualquer boteco onde se possa comer bem e beber cerveja em copo que não seja de plástico já está valendo. O lugar mais arrumadinho e intimista disponível na sua memória é uma pizzaria &#8212; você acaba de confundir intimista com caseiro, por conta das toalhas xadrez que te lembram a casa da sua avó  &#8211; ou um restaurante chinês, com a calmaria que seus aquários nas paredes inspiram. Mas, ei, pizzaria e chinês são muitas vezes vistos com maus olhos, como parentes do boteco ou da barraquinha de cachorro-quente. Não, não pode ser nenhum dos dois &#8212; ou até pode, só quem com um outro fator de dificuldade acrescido: deve ser um lugar desconhecido. Nada que tenha saído na Veja ou no caderno cultural recentemente. O que elimina todos os japoneses que você conhece também.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As mulheres querem sempre ser surpeendidas, e se você não é capaz de fazê-lo, você não tem chances com ela. Se você só vive o básico da urbanidade moderna, isto é, tem um trabalho monótono e transita entre a academia, o baba, a praia, o cinema, o bar, algum show e casa &#8212; rá, se fodeu. Arranje um hobby perigoso, um trabalho glamouroso, algo que faça de você especial, sui generis. Eu conheço uma garota que namorava um apaixonado por camping e trilhas. Ela, que até então nunca tinha ido nem em fazenda, vivia o acompanhando e me falava com verdadeira fascinação das aventuras que encaravam. Quando terminaram, ela nunca mais voltou a acampar. Nem por trauma dele nem nada; simplesmente não lhe interessava mais.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ou seja, em paralelo à produção do cenário, você precisa compor o seu personagem de mocinho psicologicamente. Ele deve ser um James Bond ou Indiana Jones, com um timing de piadas do Seinfeld ou do friend Chandler. A cada jantar, temos de fazer um show de stand up comedy. Uma vez eu ouvi um &#8220;ui, ficamos sem papo&#8221; e, acredite, não foi nada bom.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vamos agora a um outro aspecto:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando você vê alguém indo ao banheiro em um filme? Ou pegando fila? Atravessando a rua ou preso num engarrafamento?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Resposta correta &#8212; somente quando isto tem importância dramática.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nas histórias, o que é irrelevante não precisa ser contado. Esta regra narrativa nos obriga a transformar todo e qualquer momento do encontro em significante. Por exemplo, no caminho entre a casa dela e o restaurante. O carro está limpo? A seleção de músicas foi minimamente pensada? Let&#8217;s get it on está seguramente incluída e posicionada para tocar na volta para casa? Você vai conseguir iniciar o stand up enquanto dirige e presta atenção redobrada aos ladrões que sempre podem te surpreender no trânsito? E quando você descer e os três flanelinhas da rua se aproximarem, ameaçadores, cobrando 10 reais &#8212; você vai aceitar a extorsão com aquela engasgada que dá sempre nessas situações, dando a ela inconscientemente a certeza de que você não é herói porra nenhuma, ou vai peitá-los e mostrá-la quão bravo você, ainda que isso lhe valha uma surra?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Bom, mas supunhamos que tudo ocorra bem, e os caras só cobrem 2 reais. Depois de jantar, aonde quer que vocês forem, e até se separarem, o filme continua. Um novo cenário deslumbrante é preciso, um nova temporada de stand ups também e, assaz importante, Let&#8217;s get it on não deve ser tocada no trajeto para a esticada na boate.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu poderia terminar dizendo algo do tipo: tá vendo, a gente tem muito mais trabalho que vocês, nossas responsabilidades dependem de muitos outros fatores, mas é bobagem. Um encontro é realmente como um filme, e cinema é trabalho coletivo, não dá pra fazer sozinho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Bom apetite e desliguem seus celulares. <img src='http://abreparentese.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </div>
<p>Recebi um email com <a href="http://vilamulher.terra.com.br/comunidade/perfil/lemdobro/blog/outros/42536-jantar-com-o-bofe.html" target="_blank">um crônica</a> na qual a narradora contava, com inadequada histeria (o mundo ainda é machista e preconceituoso para com as mulheres), a odisseia que é a preparação feita por uma mulher quando é convidada para jantar. É preocupar-se com a forma; fazer mão e pé; e escova e hidratação; é pensar na roupa certa; aceitar o aperto dos sapatos bonitos e o desconforto da calcinha sexy. É tanta coisa, que já esqueci metade, embora tenha me esforçado para memorizar, juro.</p>
<p>Contudo, durante a leitura me pareceu que ela tentava fortalecer seu ponto alegando um total descompromisso da parte masculina para com a situação. &#8220;Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo &#8216;Vamos jantar amanhã?&#8217;&#8221; Daí resolvi explicar um pouco o lado masculino também.</p>
<p>Oscar Wilde escreveu: assim como os homens amam com os olhos, as mulheres amam com os ouvidos. Essa frase tem lá sua verdade, mas não está bem calibrada. Podemos dizer assim: os homens são extremamente visuais, enquanto as mulheres trabalham todos os seus sentidos. E mais &#8212; trabalham a sua imaginação. As mulheres são muito afeitas à narrativa, ao contexto, à progressão das coisas. Assim, convidá-la para jantar é fazê-la entrar em um filme, desde o momento em que abre a porta da casa até o momento em que volta a abri-la. Cada encontro, para ser bem sucedido, dá um trabalho digno de produção hollywoodiana.</p>
<p>Primeiro o cenário. A locação é muito importante para as mulheres. Homens não costumam reparar nela, e os filmes pornô são a maior prova disto. O seu primeiro desafio, então, é escolher um restaurante que seja minimamente badalado mas sem perder o tom intimista, e com boa decoração.</p>
<p>Percebeu? São três qualidades  abstratas, que envolvem mais que a mera visualização. Você conhece um lugar assim? Difícil. Você só frequenta este tipo de ambiente quando convida mulheres para jantar, porque, no dia-a-dia, qualquer boteco onde se possa comer bem e beber cerveja em copo que não seja de plástico já está valendo. O lugar mais arrumadinho e intimista disponível na sua memória é uma pizzaria &#8212; você acaba de confundir intimista com caseiro, por conta das toalhas xadrez que te lembram a casa da sua avó  &#8211; ou um restaurante chinês, com a calmaria que seus aquários nas paredes inspiram. Mas, ei, pizzaria e chinês são muitas vezes vistos com maus olhos, como parentes do boteco ou da barraquinha de cachorro-quente. Não, não pode ser nenhum dos dois &#8212; ou até pode, só quecom um outro fator de dificuldade acrescido: deve ser um lugar desconhecido. Nada que tenha saído na Veja ou no caderno cultural recentemente. O que elimina todos os japoneses que você conhece, por sinal.</p>
<p>Uma mulher quer sempre ser surpreendida, e se você não é capaz de fazê-lo, você não tem chances com ela. Se você só vive o básico da urbanidade moderna, isto é, tem um trabalho monótono e transita entre a academia, o baba, a praia, o cinema, o bar, algum show e casa &#8212; rá, se fodeu. Arranje um hobby perigoso, um trabalho glamouroso, algo que faça de você especial, sui generis. Eu conheço uma garota que namorava um apaixonado por camping e trilhas. Ela, que até então nunca tinha ido nem em fazenda, vivia o acompanhando e me falava com verdadeira fascinação das aventuras que encaravam. Quando terminaram, ela nunca mais voltou a acampar. Nem por trauma dele nem nada; simplesmente não lhe interessava mais.</p>
<p>Ou seja, em paralelo à produção do cenário, você precisa compor o seu personagem de mocinho psicologicamente. Ele deve ser um James Bond ou Indiana Jones, com um timing de piadas do Seinfeld ou do friend Chandler. A cada jantar, temos de fazer um show de stand up comedy. Uma vez eu ouvi um &#8220;ui, ficamos sem papo&#8221; e, acredite, não foi nada bom.</p>
<p>Vamos agora a um outro aspecto:</p>
<p>Quando você vê alguém indo ao banheiro em um filme? Ou pegando fila? Atravessando a rua ou preso num engarrafamento?</p>
<p>Resposta correta &#8212; somente quando isto tem importância dramática.</p>
<p>Nas histórias, o que é irrelevante não precisa ser contado. Esta regra narrativa nos obriga a transformar todo e qualquer momento do encontro em significante. Por exemplo, no caminho entre a casa dela e o restaurante. O carro está limpo? A seleção de músicas foi minimamente pensada? <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=NZZcQCs2KEo" target="_blank">Let&#8217;s get it on</a></em> está seguramente incluída e posicionada para tocar na volta para casa? Você vai conseguir iniciar o stand up enquanto dirige e presta atenção redobrada aos ladrões que sempre podem te surpreender no trânsito? E quando você descer e os três flanelinhas da rua se aproximarem, ameaçadores, cobrando 10 reais &#8212; você vai aceitar a extorsão com aquela engasgada que dá sempre nessas situações, dando a ela inconscientemente a certeza de que você não é herói porra nenhuma; ou vai peitá-los e mostrá-la sua bravura, ainda que isso lhe valha uma surra?</p>
<p>Bom, suponhamos que tudo ocorra bem, e os caras só cobrem 2 reais. Depois de jantar, aonde quer que vocês forem, e até se separarem, o filme continua. Um novo cenário deslumbrante é preciso, um nova temporada de stand ups também e, assaz importante, <em>Let&#8217;s get it</em> on não deve ser tocada no trajeto para a esticada na boate.</p>
<p>Eu poderia terminar dizendo algo do tipo: tá vendo?, a gente tem muito mais trabalho que vocês, nossas responsabilidades dependem de muitos outros fatores. Mas é bobagem. Um encontro é realmente como um filme, e cinema é trabalho coletivo, não dá pra fazer sozinho.</p>
<p>Bom apetite e desliguem seus celulares.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/09/resposta/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Deixa beijar</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/08/deixa-beijar/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/08/deixa-beijar/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 01:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cores]]></category>
		<category><![CDATA[deixa beijar]]></category>
		<category><![CDATA[esmalte]]></category>
		<category><![CDATA[homens]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=400</guid>
		<description><![CDATA[Sei que esse papo da complexidade das mulheres é tema já batido e surrado, mas fiz uma descoberta revolucionária e, portanto, preciso revolvê-lo um pouco mais.
Como sabemos, as mulheres são seres minuciosos, e é preciso ser um sherlock para apreender cada sinal enviado por elas. Ainda que a natureza da mensagem seja a mais simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que esse papo da complexidade das mulheres é tema já batido e surrado, mas fiz uma descoberta revolucionária e, portanto, preciso revolvê-lo um pouco mais.</p>
<p>Como sabemos, as mulheres são seres minuciosos, e é preciso ser um sherlock para apreender cada sinal enviado por elas. Ainda que a natureza da mensagem seja a mais simples possível, verbal, não se deixe enganar pelos seus ouvidos. Muitas dizem &#8220;talvez&#8221; quando querem dizer &#8220;não&#8221; e dizem &#8220;quem sabe&#8221; quando querem dizer &#8220;sim&#8221; – percebe a sutileza?</p>
<p>Pesquisas recentes estimam que apenas 30% da nossa comunicação se estabeleça pelo diálogo. A linguagem corporal reina, com 70% de participação. Agora, trata-se de uma média entre o comportamento de ambos os sexos. Como um representante dos homens, posso  afirmar que devemos ceder ao corpo, quando muito, uns 10% de crédito em nossa comunicação. Logo, para chegarmos à média de 70%, temos de considerar a linguagem corporal feminina como 130% atuante. Os números parecem absurdos, eu sei, eu nunca fui bom com eles; porém, dentro do contexto, até que soam razoáveis, não é?</p>
<p>Alguns destes sinais corporais já são absolutamente claros para nós: quando ela mexe o cabelo ou se inclina em nossa direção, temos ciência de ser um modo de demonstrar interesse. Pergunto-me quantos séculos os homens demoraram para decifrar este código, e a única resposta satisfatória envolve  a  hipótese de que uma mulher tenha revelado o segredinho a um amigo, e este tratou de espalhá-lo. Sendo assim, o mérito não é todo nosso.</p>
<p>O discurso vigente é que, se estamos <em>lost in translation</em>, é por pura negligência, compadres. Então, ao levar bronca por não termos reparado que ela aparou as pontas do cabelo ou está com os cotovelos menos ressecados, nos sentimos mal e reiteramos nossa culpa. Mas quer saber? Nem elas mesmas caem nessa lorota de negligência. O fato é que somos incapazes de alcançar o grau de comunicabilidade desenvolvido pelas mulheres. Elas sabem disto e, se usam este argumento simplório da incúria, é só para não ter de dar maiores explicações; afinal, não dá para explicar à garotada da 3ª série que os interesses financeiros e políticos estão por trás de todos os grandes eventos históricos, não é?  3ª série – é onde estamos.</p>
<p>A minha descoberta é prova irrevogável da tremenda evolução feminina. Pois eu descobri, meus amigos, que existe uma cor de esmalte chamada Deixa Beijar.</p>
<p>Sim, sim, sim. Enquanto os homens ainda estão desenvolvendo sua visão para além das 20 e poucas cores, incluindo aí os tons claros e escuros; enquanto eles demoram anos para identificar a cor salmon sem confundi-la com o goiaba; enquanto tentam utilizar as novas teorias no campo da física quântica para decifrar cores como henna e gelo fosco – enquanto tudo isto acontece, as mulheres já elaboraram um sistema no qual as cores não expressam simplesmente cores.</p>
<p>Não falo nem do clássico estado de espírito que a cromoterapia, o Feng Shui e suas variantes estabeleceram em nossa cultura. Refiro-me a estados de espírito condizentes com o sujeito pós-modernidade (Sexy, Preguicinha, Energia); estou falando da capacidade feminina de expressar, com as cores, as condições climáticas (Amanhecer, <em>Fog</em>); as regiões político-geográficas (Nova York, França, Arábia); os ritmos musicais (Samba, Blues, Jazz); comida (Leite de Coco, Cappuccino, Maçã do Amor); a história (Rosa Antigo); as coisas mais variadas, como Poema, Videoclipe, Blecaute&#8230; Existe mesmo uma cor Vida e uma Via Láctea!</p>
<p>Ao contrário de nós, <em>homus sapiens oculus primitivus</em>, as mulheres já se configuraram seres<em> oculus sapiens sapiens</em>, e conseguem encontrar uma cor para tudo que é, que foi e que será. As pontas de seus dedos não mais se restringem ao ato de nos chamar, nos fazer aquelas cosquinhas leves ou mesmo tirar meleca do nariz: elas são um espaço de discurso para as mulheres. Deve-se ter cuidado quando tocar as unhas dela; você pode descompassar o seu samba, perturbá-la durante sua preguicinha ou mesmo meter a manopla suja na sua deliciosa maçã do amor.</p>
<p>Como saber o que estaremos enfrentando?</p>
<p>Particularmente, nenhuma dessas cores me deixa tão angustiado quanto o Deixa Beijar. Agora, quando uma garota estiver falando comigo e passar a mão pelos lábios ou pelo pescoço – ela estará apenas se coçando ou se insinuando, provocando, falando com todos os dedos que ela me Deixa Beijar? Entrementes, e se não for o Deixa Beijar mas o Tem Que Morder? Ou mesmo o Não Me Toque? Um erro pode ser fatal e acabar com todo o sonho.</p>
<p>Que Deus nos ajude, camaradas, sobretudo aos que têm problema de visão como eu. A implacável lei darwiniana da sobrevivência do mais apto logo nos alcançará com força, e daqui pra frente só os que conseguirem montar um degradê perfeito sobreviverão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/08/deixa-beijar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Making of de uma crônica</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/06/making-of-de-uma-cronica/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/06/making-of-de-uma-cronica/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 18:41:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Prata]]></category>
		<category><![CDATA[Banquete]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Ecce homo]]></category>
		<category><![CDATA[Foucault]]></category>
		<category><![CDATA[G Magazine]]></category>
		<category><![CDATA[Grécia Antiga]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Platão]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=342</guid>
		<description><![CDATA[Outro dia eu fui à banca de revistas e encontrei uma edição vagabundíssima de Ecce Homo, de Nietzsche. Era um livro molenga, com uma capa verde-cocô-de-diarréia e a clássica foto de perfil do filósofo abaixo do título, em tamanho 3&#215;4.
Até aí nada demais. De hoje que as bancas vendem livros filosóficos, não é mesmo? O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia eu fui à banca de revistas e encontrei uma edição vagabundíssima de <em>Ecce Homo</em>, de Nietzsche. Era um livro molenga, com uma capa verde-cocô-de-diarréia e a clássica foto de perfil do filósofo abaixo do título, em tamanho 3&#215;4.</p>
<p>Até aí nada demais. De hoje que as bancas vendem livros filosóficos, não é mesmo? O intrigante, aqui, é que ele estava na seção de publicações pornográficas, ao lado de uma <em>G Magazine</em>.</p>
<p>Partindo do pressuposto de que o dono da banca não conhece <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche" target="_blank">Nietzsche</a>, sua lógica foi implacável: um livro com a palavra HOMO no título, seguido de uma foto com um bigodudo nos moldes que o Tom Cavalcante, baseado no figurino do Village People (?), criou para seu personagem <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/bigbrotherbrasil/images/19tom2.jpg" target="_blank">Pit Bicha</a> &#8212; deve se tratar, realmente, de algo voltado para uma parcela do público gay masculino.</p>
<p>Oh, isto renderia um diálogo engraçadíssimo sobre o que aconteceria caso um comprador assíduo de <em>Playboy</em>, <em>Brazil</em>, <em>Sexxxy</em> e afins decidisse comprar aquele livro na mão daquele vendedor. O vendedor, do tipo heterossexual conservador se passando por descolado, não conseguiria esconder seu espanto. O cliente, embora não tivesse problema algum com a homossexualidade, tentando provar para o outro que se tratava apenas de um livro filosófico, abriria em uma página aleatória e leria:</p>
<blockquote><p>&#8220;Pobre quem nunca esteve enfermo o bastante, como para GOZAR desta &#8216;VOLUPTUOSIDADE DO INFERNO&#8217; (&#8230;) Creio que conheço melhor que ninguém as façanhas gigantescas que WAGNER é capaz de realizar&#8221;.</p></blockquote>
<p>Antes que eu pudesse escrever algo, porém, li<a href="http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?title=senta_o_careca&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1#comments" target="_blank"> uma crônica no blogue de Antonio Prata</a> que gerou alguma polêmica pelo fato de um personagem seu utilizar o termo &#8220;bicha&#8221; de forma depreciativa. Prata pediu desculpas <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?title=sobre_o_texto_do_aviao&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1#comments" target="_blank">no post seguinte</a>, assumindo que &#8220;os preconceitos, assim como os clichês e as gripes, são males que contraímos e distribuímos sem perceber.&#8221; Esta, aliás, foi uma das questões discutidas por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Foucault" target="_blank">Foucault</a> em sua obra: como o discurso se constrói, como herdamos e reproduzimos um conjunto de afirmações que julgamos serem a Verdade, quando se trata apenas de uma construção histórica.</p>
<p>Para dar um exemplo rápido e relacionado ao assunto, quem estuda sobre a Grécia Antiga seguramente vai se bater com a informação de que a relação entre homens fazia parte da sua cultura. (Em <em>Banquete</em>, de Platão, uma belíssima obra sobre o amor, um dos personagens chega a falar que os melhores homens para companheiros são os que estão no início da puberdade.) Como dizer que um hábito cultural é <em>errado, </em>inatural? De natural, só temos nossos corpos, e olhe lá, senhoras e senhores vacinados.</p>
<p>Por compreender que construir aquele diálogo só ajudaria a corroborar o discurso homofóbico, com o qual não concordo, desisti dele. O que me levou, por outro lado, a pensar na pretensa liberdade criativa e discursiva da literatura. Era uma situação engraçada, afinal &#8212; e não falo aqui de um cara tentando convencer o outro de que ele não é gay, mas de encontrar Nietzsche ao lado de uma <em>G Magazine</em>.</p>
<p>No fim das contas, saiu este post.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/06/making-of-de-uma-cronica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Noite dos maquiados</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/06/noite-dos-maquiados/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/06/noite-dos-maquiados/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 12:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Corpus Christi]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[Valeria O'rarah]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=340</guid>
		<description><![CDATA[Em 11 de agosto de 1264, através da bula Transiturus, o papa Urbano IV instituiu a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpus Christi&#8230;
— IMUUUUUUUUUUUUUNDAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
&#8230;Um gérmen da celebração já existia desde 1230, na paróquia belga de Saint Martin, sob tutela do arcediago Tiago Pantaleão de Troyes, que se tornaria o papa Urbano IV [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 11 de agosto de 1264, através da bula<em> Transiturus</em>, o papa Urbano IV instituiu a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, ou Corpus Christi&#8230;</p>
<p>— IMUUUUUUUUUUUUUNDAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!</p>
<p>&#8230;Um gérmen da celebração já existia desde 1230, na paróquia belga de Saint Martin, sob tutela do arcediago Tiago Pantaleão de Troyes, que se tornaria o papa Urbano IV 31 anos mais tarde&#8230;</p>
<p>— Olha o pingente da imuuuunda! Rainha majestade!</p>
<p>&#8230;A idéia surgiu a partir de um segredo revelado ao arcediago pela freira agostiniana Juliana Mont Cornillon, que há 20 anos tinha visões do disco lunar com uma parte escura. O que foi interpretado como a ausência de uma festa no calendário litúrgico&#8230;</p>
<p>— Alguém me traz uma piscina, por favor?</p>
<p>&#8230;O intuito desta celebração é honrar e realçar a presença real de Cristo na Eucaristia, um dos sete sacramentos da Igreja Católica, no qual se celebra justamente a memória da morte sacrificial e a ressurreição de Jesus&#8230;</p>
<p>— Diga a ele que o eu convidei, sim, mas que não é hoje, não, é sábado.</p>
<p>&#8230;Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1a vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre na primeira quinta-feira após o primeiro domingo depois de Pentecostes&#8230;</p>
<p>— Ah, imuuuuuunda! Você não tinha trocado a sexta pelo sábado comigo? Agora desfez o trato só pra ir pro Arraiá da Capitá, é?</p>
<p>Mas veja como, de uma hora pra outra, o bar ficou intransitável. E já passa da 1 da manhã. O que essa quinta-feira de Corpus Christi significa pra toda essa gente? — o quê, o quê?</p>
<p><em>Feriadão</em>, é óbvio.</p>
<p>— Boa noite, senhoras e senhores, gays, lésbicas e simpatizantes. Muito obrigado pelo carinho e pela paciência. É muito bom ver essa casa cheia desse jeito. O nosso show de hoje vai ser muito especial, e com direito a convidadas. Praqueles que<br />
não me conhecem, eu sou Valerie O’rarah.</p>
<p>[<a href="http://www.abreparentese.com/acervo/noitedosmaquiados.pdf" target="_blank">Texto completo</a>]</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/06/noite-dos-maquiados/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cloud Advertising Inc.</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/04/cloud-advertising-inc/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/04/cloud-advertising-inc/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 03:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Google Maps]]></category>
		<category><![CDATA[publicidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=251</guid>
		<description><![CDATA[Caso meu projeto de comercialização de últimas frases não deslanche (sabe como é, às vezes o mundo não está preparado para certas idéias), hei de seguir a dica empreendedora de Ugo Sangiorgi e migrar para o ramo da publicidade. No teto.
Graças à grande popularidade de ferramentas como o Google Maps, os tetos agora são um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caso meu projeto de <a href="http://abreparentese.com/2009/04/ultimas-palavras-ltda/">comercialização de últimas frases</a> não deslanche (sabe como é, às vezes o mundo não está preparado para certas idéias), hei de seguir a dica empreendedora de <a href="http://coisasqueaconteceramcomigo.wordpress.com/" target="_blank">Ugo Sangiorgi</a> e migrar para o ramo da publicidade. No teto.</p>
<p>Graças à grande popularidade de ferramentas como o <a href="http://maps.google.com" target="_blank">Google Maps</a>, os tetos agora são um ponto de propaganda estratégico! Imagine você utilizando uma delas para ver fotos aéreas de Salvador e, de repente, pá!, vê o teto do Iguatemi todo pintado de vermelho, com o logo da Coca-Cola, ou um conjunto de edifícios que permitam pintar, enorme, o logo da McDonald’s. Não é genial?!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/04/cloud-advertising-inc/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Últimas Palavras Ltda.</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/04/ultimas-palavras-ltda/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/04/ultimas-palavras-ltda/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 03:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Alfred Hitchcock]]></category>
		<category><![CDATA[máximas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=246</guid>
		<description><![CDATA[Dizque Alfred Hitchcock, consagrado diretor de thrillers, como Um Corpo Que Cai (1958) e Psicose (1960), pediu que seu epitáfio fosse: “É isto que acontece com os maus garotos” — mas não realizaram seu desejo.
Eu nunca acreditei na veracidade das últimas palavras geniais. Se mesmo nos textos de Shakespeare os moribundos falam coisas superficiais, do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizque Alfred Hitchcock, consagrado diretor de <em>thrillers</em>, como <em>Um Corpo Que Cai</em> (1958) e <em>Psicose</em> (1960), pediu que seu epitáfio fosse: “É isto que acontece com os maus garotos” — mas não realizaram seu desejo.</p>
<p style="text-align: left;">Eu nunca acreditei na veracidade das últimas palavras geniais. Se mesmo nos textos de Shakespeare os moribundos falam coisas superficiais, do tipo “Oh! Mataram-me!” [Polônio, conselheiro do rei da Dinamarca, em <em>Hamlet</em>], imagine na vida real.</p>
<p style="text-align: left;">Uma vez pensei em montar um negócio de criação de últimas palavras. O cliente que nos contratasse teria sua vida estudada e, a partir disto, faríamos um levantamento das maneiras mais prováveis dele morrer. Assim, criaríamos uma frase específica para cada situação possível. Tudo sob o seu crivo, claro. Desta forma, quando ele viesse a bater as botas, daríamos um jeito de forjar a cena da morte e trazer à tona as suas… caham… últimas palavras. E ninguém correria o risco de levar fama eterna por algo que não fosse do seu apreço.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/04/ultimas-palavras-ltda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Como se dá oi de novo?</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/02/como-se-da-oi-de-novo/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/02/como-se-da-oi-de-novo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 04:57:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[sociabilidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=141</guid>
		<description><![CDATA[Você está numa exposição, ou numa festa, no shopping, em qualquer lugar, e cruza com aquele amigo (ou amiga) que não vê há dias ou há anos. Cumprimentos, um dedo de prosa, cada um vai pro seu lado. Você continua circulando e, daqui a pouco, está à frente dele (ou dela) novamente. Como agir? As [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você está numa exposição, ou numa festa, no shopping, em qualquer lugar, e cruza com aquele amigo (ou amiga) que não vê há dias ou há anos. Cumprimentos, um dedo de prosa, cada um vai pro seu lado. Você continua circulando e, daqui a pouco, está à frente dele (ou dela) novamente. Como agir? As opções são muitas: podem trocar sorrisos, trocar olhares significativos, daqueles com sobrancelha erguida, novos apertos de mão, um tapinha no ombro (um beliscãozinho no pneuzinho abdominal, no caso dela), ou podem simplesmente fingir que não se viram.</p>
<p>Eu nunca sei o que fazer. O simpático leitor, a bonita leitora devem estar agora pensando que, ora, tudo depende do grau de intimidade que se tem com a outra pessoa, mesmo porque — hão de argumentar alguns —, se alguém e tão íntimo a ponto de você dar um beliscãozinho no abdômen dele, deve ser íntimo também para você convidar a continuar a seu lado durante a exposição, a festa ou o passeio pelo shopping. Refuto este argumento dizendo que sou baiano, e caso ele não signifique nada para você, trago à luz a seguinte situação: você está com sua namorada e encontra sua ex com o novo namorado, e aí?, tem coragem de manter o duque?</p>
<p>Como eu dizia, nunca sei direito como agir. E cada reencontro desse tipo me enche de angústia e me faz ter a certeza de que, se eu pudesse escolher um poder de X-Man, seria o de ficar invisível (e olha que essa é uma das minhas maiores dúvidas existenciais). Lá está a pessoa outrora cumprimentada. Eu estou indo ao bar, ela está voltando. Olho imediatamente para ver se existe a possibilidade de desviar a rota. Porra!, não há! Ok, prossigamos, tem muita gente indo e vindo, talvez eu possa despistar ficando atrás deste grandalhão aqui. Mas que merda, grandalhão, volte, eu pago a sua cerv — Ahn… er… o-oi de novo…</p>
<p>Felizmente, existem aqueles que sabem dominar invejavelmente bem situações assim. Eu mesmo tenho uma conhecida que é mestra na arte de passar e fingir que não viu, o que, se me alivia por um lado, confesso que me deixa meio ressentido também, com a sensação de ter sido esnobado. É por isso que eu evito ao máximo usar essa estratégia, e acabo dando uma de chato. Uma vez eu estava no clube e, embarreirando a entradinha para a piscina, um amigo tentava ganhar uma garota. Aparentemente não estava se saindo muito bem, de longe eu via as longas pausas, a cara de enfado dela e mesmo uma dissipada fumacinha pairando sobre a cabeça dele, típica de cérebro procurando assunto pertinente para seduzi-la. Eu já o tinha cumprimentado um milhão de vezes naquela tarde, sempre esfuziantemente. Portanto, não hesitei em concluir que a melhor solução seria apertar sua mão mais uma vez, o que inclusive o aliviaria da tensão da iminência de um insucesso e lhe daria mais tempo para pensar em algo.</p>
<p>Mal dei-lhes as costas, ouvi:</p>
<p>— Esse cara é maluco, se ele me vir vinte vezes, me aperta a mão vinte vezes! — No que ela caiu na risada.</p>
<p>Outra vez humilhado por não saber dar oi de novo, pensei. Que bom que, pelo menos, eu ajudei meu amigo a cativar uma garota.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/02/como-se-da-oi-de-novo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No elevador</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/02/no-elevador/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/02/no-elevador/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 04:06:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cantadas]]></category>
		<category><![CDATA[elevador]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[sociabilidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=122</guid>
		<description><![CDATA[Moro num 21º andar. Considerando a média de altura de 3 metros por andar, e não abolindo a portaria, estou 66 metros acima do solo. Uma vez dentro do elevador, levo um minuto e meio no deslocamento minha casa &#8211; rua &#8212; isto caso ele não faça nenhum pit stop.
Na minha rotina, saio de casa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moro num 21º andar. Considerando a média de altura de 3 metros por andar, e não abolindo a portaria, estou 66 metros acima do solo. Uma vez dentro do elevador, levo um minuto e meio no deslocamento minha casa &#8211; rua &#8212; isto caso ele não faça nenhum pit stop.</p>
<p>Na minha rotina, saio de casa às 6h30 da manhã e só retorno à noite, ou seja, gasto diariamente ao menos três minutos no elevador. Numa semana, isto são 21 minutos &#8212; 1 hora e 24 minutos por mês, 13 horas e 36 minutos em um ano!</p>
<p>Há apenas dois elevadores no meu prédio. Imaginando que eu utilize ambos o mesmo número de vezes, isto significa que eu gasto, em um ano, seis horas e quarento e oito minutos olhando-me no espelho do elevador social, o que me atenta para o fato de eu ser mais vaidoso do que pensava. Já no elevador de serviço, o único passatempo que eu tenho é tirar meleca do nariz. Desculpe-me a confissão nojenta, mas, veja bem, o fato de eu não tirar meleca do nariz na presença dos vizinhos mas de continuar me olhando, de esguelha, no espelho na frente deles faz de mim alguém mais vaidoso que nojento. O próprio fato de me preocupar em sair à rua sempre com um nariz limpinho corrobora o traço vaidoso, não é verdade?</p>
<p>É tão verdade que, frequentemente, sou paquerado no meu elevador. E aqui preciso fazer um parêntese:</p>
<p>Quem não é baiano, chega a Salvador e se sente a pessoa mais desejada do mundo, quase tanto quanto se estivesse passeando pelas vitrines do Distrito da Luz Vermelha em Amsterdã. É que o baiano olha muito pras pessoas; somos um povo muito analítico, e se Freud não tivesse inventado a Psicanálise lá na Áustria, seguramente algum baiano o teria feito tempos depois, porque essa coisa de analisar, interrogar, escutar sobre a vida dos outros é hábito aqui. Terapia de grupo? Pegue um ônibus, e a sessão iniciar-se-á ainda no ponto, com alguém te perguntando a hora ou simplesmente comentando despretensiosamente &#8220;Calor, né?&#8221;. Mas calhou de a gente ter praia, e carnaval, e Skol gelada com acarajé ou beiju de creme de aipim e carne seca lá na Dinha, e a chuva só interrompe nossa festa poucas vezes ao ano. Com tudo isso, não seria possível ser pioneiro nas coisas que demandam confinamento, como a Academia, né? (Obviamente, não tô falando da de ginástica.)</p>
<p>Tudo isso para dizer que, por toda essa bagagem inerente à minha baianidade, não sou desses que acham que está sendo paquerado o tempo inteiro. Eu sei diferenciar o aproximamento clínico do aproximamento amoroso, e este último é que compõe a natureza das investidas que recebo no elevador.</p>
<p>Tenho histórias memoráveis destes meus flertes, conto aqui duas, rapidinho.</p>
<p>A primeira foi o policial gordinho que entrou junto comigo no elevador social depois que haviam-no limpado. O ambiente exalava eucalitpo. Depois de um certo tempo, ele pôs a gola da blusa sobre o nariz e, sorrindo, comentou &#8220;Ai, que cheiro forte!&#8221;, e riu-se todo. &#8220;Se eu desmaiar, você me seguuuuura?&#8221;, e riu-se mais. Por sorte eu estava com sacolas de supermercado nas mãos.</p>
<p>A segunda foi a da menininha de uns dez, onze anos, a quem ajudei quando ela tentava em vão alcançar o botão para o seu andar no painel. &#8220;Obrigada!&#8221; &#8220;De nada, querida&#8221;, respondi-lhe afagando o cabelo. &#8220;Você viu o cachorro que mordeu a mulher agorinha na rua?&#8221; &#8220;Não, onde?&#8221; &#8220;Aqui mesmo, em frente.&#8221; &#8220;Nossa, não vi mesmo! Mas que perigo! Tá tudo bem com ela?&#8221; &#8220;Não sei, ela foi pra o hospital. Ainda bem que você não viu.&#8221; Pensei então em fazer o tipo tio politicamente incorreto e confessei-lhe &#8220;Poxa, que ruim pra ela, mas eu nunca vi um cachorro morder alguém, queria saber como é.&#8221; E ela: &#8220;É, mas se você estivesse o cachorro podia ter mordido você, e você não merece!&#8221;</p>
<p>Diante de tamanha cantada, mal tive sagacidade para tergiversar, perguntar se ela estava dizendo aquilo porque a mulher era má e, portanto, merecia ser mordida, enquanto eu era um bom vizinho, que lhe apertava o botão no elevador. Eu corei e ela sorriu, a danadinha. Na saída, ainda comentou &#8220;Amanhã é meu aniversário&#8221;, e eu fiquei sem saber se aquilo era uma espécie de &#8220;Quer jantar comigo?&#8221; de uma menina de onze anos.</p>
<p>Há ainda o caso da velhinha tarada por universitários, a feinha da academia e muitos outros. Contarei-os em outra oportunidade. Neste ínterim, continuarei olhando-me no espelho e tirando meleca do nariz sempre que possível durante minhas pequenas viagens diárias de elevador. Vai que eu encontro o meu amor no meio do trajeto?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/02/no-elevador/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Un ligue</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/02/un-ligue/</link>
		<comments>http://abreparentese.com/2009/02/un-ligue/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 12:57:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cantadas]]></category>
		<category><![CDATA[galícia]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://abreparentese.com/?p=116</guid>
		<description><![CDATA[Dos tempos vividos na Galícia:
Lá estava ela, sentada no banco justo ao lado do quadro de aulas que eu checava três vezes ao dia para saber a que sala me dirigir. Roía o canto da unha do indicador direito e olhava para o nada, as pernas paradas num lindo ângulo torto, as pontas das sapatilhas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Dos tempos vividos na Galícia:</em></p>
<p>Lá estava ela, sentada no banco justo ao lado do quadro de aulas que eu checava três vezes ao dia para saber a que sala me dirigir. Roía o canto da unha do indicador direito e olhava para o nada, as pernas paradas num lindo ângulo torto, as pontas das sapatilhas, enfeitadas com desenhos e imitações de pequenas pérolas, se beijando; um pedacinho do pé branquelo se insinuando. E, ah!, a franjinha ondulada, que quase lhe ocultava a metade do olho direito e saltava para frente toda vez que cuspia um pedacinho de unha ou de pele.</p>
<p>Estava sozinha, e éramos os únicos presentes ali no foyeur. Sentei-me ao seu lado, como quem não quer nada, assim que o cheiro de baunilha que ela exalava — feromônios cheiram a baunilha? — pulou do seu cocuruto direto para minhas narinas, meio metro acima.</p>
<p>– Não tem muito aula de tarde, não é?</p>
<p>– Hum? — ela se assustou com meu comentário repentino. — Ahn… É — dise, tirando o dedo da boca.</p>
<p>– Você estuda aqui ou é intercambista?</p>
<p>– Não, não sou intercambista.</p>
<p>Sem saber o que fazer com as mãos, começou a apalpar a bolsa que mantinha no colo, junto com cadernos e folhas de papel.</p>
<p>– Legal. Jornalismo ou audiovisual?</p>
<p>– Jornalismo — disse, puxando um jornal gratuito do meio das folahs e o erguendo e</p>
<p>– Legal, eu também.</p>
<p>…e abrindo-o e se escondendo atrás dele.</p>
<p>– V-</p>
<p>…</p>
<p>– Bem, até logo — disse eu, começando a me levantar.</p>
<p>– Tchau — respondeu, sem sair detrás da edição que estampava a foto de algum atleta posando com sua taça.</p>
<p>Fui-me embora. E lá ficou ela, sozinha, as pernas paradas num lindo ângulo torto, as pontas das sapatilhas se beijando.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://abreparentese.com/2009/02/un-ligue/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
