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	<title>abre parêntese ( &#187; Literatura</title>
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		<title>Soneto da Encruzilhada / Reagente</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 14:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Até o dia em que o cão morreu]]></category>
		<category><![CDATA[áudio]]></category>
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		<category><![CDATA[coletivo muito barulho por nada]]></category>
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		<description><![CDATA[Não costumo misturar o blog do Coletivo Muito Barulho Por Nada com o abre parêntese, mas abro uma exceção para o áudio abaixo. Trata-se da gravação de uma performance do Coletivo na qual eu declamo, de improviso, um soneto que havia escrito há tempos, inspirado num trecho do extinto blog de Daniel Galera.
Galera escrevera, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não costumo misturar o blog do<a href="http://coletivomuitobarulhopornada.blogspot.com" target="_blank"> Coletivo Muito Barulho Por Nada</a> com o abre parêntese, mas abro uma exceção para o áudio abaixo. Trata-se da gravação de uma performance do Coletivo na qual eu declamo, de improviso, um soneto que havia escrito há tempos, inspirado num trecho do extinto blog de Daniel Galera.</p>
<p>Galera escrevera, a respeito do contexto de criação de<em> Até o dia em que o cão morreu</em>, que chamava a sua atenção &#8220;um fenômeno de certa apatia entre as pessoas da minha idade e minha classe social, um excesso de possibilidades que desnorteava as pessoas, tornava tudo no mundo equivalente, e portanto igualmente desinteressante.&#8221;</p>
<p>Eu percebo algo similar em muitas pessoas da minha idade e minha classe social, eu inclusive. Sonhamos em fazer um pouco de tudo na vida, mas, sem saber por onde começar — ou ter ânimo para começar –, às vezes optamos por continuar sentados na mesa do bar, sonhando. Nos dá pavor a ideia de escolher um caminho e gastar a carta da escolha.</p>
<p>Estamos parados na encruzilhada das possibilidades infinitas. Mas o poema que Gabriel Camões lançou em seguida é como um abraço amigo. E a música que Cebola Pessoa fez, para ambientar, de improviso, é das coisas mais lindas, que dão nó no olho e cisco no peito da gente.</p>
<div></div>
<div></div>
<p><center><embed src="http://www.4shared.com/embed/183129948/88610c8d" width="320" height="200" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed> </center></p>
<div></div>
<p>PS: O Coletivo se apresenta, neste sábado, às 20h, no sebo Praia dos Livros, no Porto da Barra. A entrada é franca. Apareça.</p>
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		<title>O despertar do amor</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 10:40:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[De repente, teve uma vontade desvairada de rir. Como se acabasse de ganhar na sena. Ou como se a maior das desgraças, de dimensões infinitas, acabasse de lhe acontecer. A muito custo controlou a explosão; riu pouco, mas com gosto. Os dentes cobertos de saliva, o copo descartável com vodka e coca balançando perigosamente próximo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De repente, teve uma vontade desvairada de rir. Como se acabasse de ganhar na sena. Ou como se a maior das desgraças, de dimensões infinitas, acabasse de lhe acontecer. A muito custo controlou a explosão; riu pouco, mas com gosto. Os dentes cobertos de saliva, o copo descartável com vodka e coca balançando perigosamente próximo à sua calça cáqui.</p>
<p>Teve vontade de mandar a garota ao seu lado ir à merda. Lá estava ela, os olhos revelando toda a impaciência e ansiedade que o resto do corpo (incluindo as mãos) dissimulava. Ridícula. A boca de lábios fartos num sorriso de vitrine, o nariz se impondo arrebitado como um general, ordenando que ele continuasse a falar. Na certa, supunha que aquele riso viera à tona junto com alguma lembrança, uma história interessante que ele começaria a contar, cumprindo assim seu papel no ritual da conquista. Sua função era ousar, bem sabia, enquanto a dela era recusar. Ele então deveria ousar mais; ela, recusar mais  –  e a intensidade dessa disputa aumentando até culminar num beijo longo, alguns amassos e o objetivo final: fazer amor.</p>
<p>Sim, ela parecia ser do tipo que <em>faz amor</em>.</p>
<p>E amor se faz?</p>
<p>A vida inteira até ali ele preferiu foder, trepar, copular – gozar e deitar lado a lado, uma barreira de fumaça de cigarro entre nós. Mas estava se cansando daquilo, daquela forma de ser homem. Seu gozo nunca lhe trouxera mais que arrependimento. Culpa. Ele não deveria estar fazendo aquilo, não com ela. Não seria legal. E se não for másculo, às favas com a virilidade. Cansou de provas. Ele não precisava se provar e não dava a mínima para o que os outros pudessem comentar. Não queria mais transar, comer, fornicar. Queria, ele também, fazer amor. (E amor se faz?) Decerto não com ela; sua pompa de quem se achava no direito de experimentar o amor dele só a fazia mais ridícula e risível. Aquele amor, nunca compartilhado até então, só pertenceria a uma mulher especial, que soubesse dialogar no silêncio – no silêncio total: de palavras, de olhares, de corpo. Uma mulher forte o bastante para enxergar toda a podridão inerente à personalidade dele e que, ainda assim, aceitasse-o – sem pena, sem fascinação.</p>
<p>Ele só queria esperar.</p>
<p>No embalo desses devaneios, o riso se transformou em vazio. Algo próximo da amargura, mas era vazio. Permaneceu calado, olhando para o bico dos sapatos. Seu amigo e anfitrião da festa passou trôpego por eles, carregado por uma garota de piercing no nariz. A um sinal da outra, garota ao seu lado respirou fundo, como se houvesse no ar o gás da coragem.</p>
<p>Ela lhe chamou pelo nome, tocando-lhe a perna com uma ternura incógnita (verdadeira ou falsa?), repugnante. Perguntou-lhe se estava bem. Ele meneou a cabeça e soltou um “não é nada”, sem desviar os olhos vazios dos sapatos. Ela tocou-lhe carinhosamente a face, com uma mão quente e suada, obrigando-o a fitá-la. A insensível não foi capaz de perceber o vazio estampado nos olhos dele, porque às vezes ficamos assim: vazios, e a maioria das pessoas confunde esse vácuo existencial com depressão, sem atentar para o detalhe que, para dar-se à melancolia, é preciso ter alguma noção, mesmo errônea, do que seja a felicidade. Mas ela em nada disso reparou, pois baixou os olhos para a boca fina e ressecada dele e o beijou. Beijou-o como se com a língua pudesse sondar, sugar seus pensamentos. O corpo dela se aproximou, suas mãos se entrelaçaram atrás da nuca dele, enquanto a língua tentava cutucar-lhe a ferida, encontrar a sua alma. E os lábios dela eram de uma quentura confortante, que fazia esquecer.</p>
<p>Ele tentou permanecer de olhos fechados, tentou esquecer, só mais daquela vez, mas não era possível. Abriu-os; suas retinas sugaram o mundo como aspiradores. De repente, enxergava tudo mais de perto, mesmo os quadros de mau gosto no fim do corredor; via tudo mais próximo e com uma riqueza aflitiva de detalhes. Doía ver tudo daquela forma.</p>
<p>Ela, mesmo percebendo o bloqueio, enfiava a língua mais fundo, apertava mais os olhos e puxava a cabeça dele para si com mais força, na esperança inútil de o não começado não terminar. Seus motivos, um mistério. Toda mulher é um mistério. A maioria, um mistério medíocre, mas ainda assim mistério.</p>
<p>Foi em vão. Ele se livrou dela com um empurrão brusco e encarou-a com estranheza, medo e raiva (o vazio, enfim, preenchido). Ela se preparava para se indignar ou chorar – ainda não havia se decidido –, mas não houve tempo: a mão que lhe veio de encontro à face era pesada, o tapa doído a desconcertou, todos os pensamentos migraram para a bochecha, onde começaram a arder.</p>
<p>Com o rosto de lado, seu olho deslizou timidamente para o canto e, escondido sob a vasta cabeleira loura, pôde ver o momento em que ele se levantou, cuspiu no copo com nojo e saiu do apartamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;">[Publicado no e-zine <a href="http://oparalelepipedo.wordpress.com/" target="_blank"><em>Paralelepípedos</em></a>, 003]</p>
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		<title>A caçadora de borboletas</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/10/a-cacadora-de-borboletas/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 03:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Clipagem]]></category>
		<category><![CDATA[Ficções]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando a primavera chegou, o pai de Ida entregou-lhe um volumoso álbum. “É um presente”, disse ele. “Esta é a minha velha coleção de borboletas”. Ida não compreendeu de imediato como as borboletas poderiam estar guardadas naquele livro. Ao abri-lo, soltou um grito de horror. “Elas estão mortas!”
Em cada página, havia uma borboleta diferente colada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando a primavera chegou, o pai de Ida entregou-lhe um volumoso álbum. “É um presente”, disse ele. “Esta é a minha velha coleção de borboletas”. Ida não compreendeu de imediato como as borboletas poderiam estar guardadas naquele livro. Ao abri-lo, soltou um grito de horror. “Elas estão mortas!”</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em cada página, havia uma borboleta diferente colada e protegida com um plástico duro por cima. Todas sem vida. Ida decidiu que nunca colecionaria bichos mortos, ainda mais as borboletas, tão bonitinhas. Ao fechar o álbum, leu na capa o nome butterfly. Que era? O pai explicou ser equivalente à palavra borboleta em inglês, e que a tradução ao pé da letra seria bicho-manteiga. Aquilo deu uma ideia à garota.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De certa forma, ela prosseguiu a coleção do pai. Só que, em vez do inseto, Ida colecionava o nome usado para falar borboleta em outras línguas. Ao lado de cada termo, desenhava uma borboleta, o tamanho e as cores inspirados pela forma como ele lhe chegava aos ouvidos. Mariposa, papillon, farfalla, tagfalter… Quando Ida descobriu pelo Google que já haviam catalogado quase 7 mil línguas, pensou consigo mesma:</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">“Bom, pelo menos eu também vou ter uma coleção para a minha filha completar!”</div>
<p>Quando a primavera chegou, o pai de Ida entregou-lhe um volumoso álbum. “É um presente”, disse ele. “Esta é a minha velha coleção de borboletas”. Ida não compreendeu de imediato como as borboletas poderiam estar guardadas naquele livro. Ao abri-lo, soltou um grito de horror. “Elas estão mortas!”</p>
<p>Em cada página, havia uma borboleta diferente colada e protegida com um plástico duro por cima. Todas sem vida. Ida decidiu que nunca colecionaria bichos mortos, ainda mais as borboletas, tão bonitinhas. Ao fechar o álbum, leu na capa o nome butterfly. Que era? O pai explicou ser equivalente à palavra borboleta em inglês, e que a tradução ao pé da letra seria bicho-manteiga. Aquilo deu uma ideia à garota.</p>
<p>De certa forma, ela prosseguiu a coleção do pai. Só que, em vez do inseto, Ida colecionava o nome usado para falar borboleta em outras línguas. Ao lado de cada termo, desenhava uma borboleta, o tamanho e as cores inspirados pela forma como ele lhe chegava aos ouvidos. Mariposa, papillon, farfalla, tagfalter… Quando Ida descobriu pelo Google que já haviam catalogado quase 7 mil línguas, pensou consigo mesma:</p>
<p>“Bom, pelo menos eu também vou ter uma coleção para a minha filha completar!”</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-415  aligncenter" title="acacadoradeborboletas" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2009/10/acacadoradeborboletas.PNG" alt="acacadoradeborboletas" width="454" height="230" /></p>
<p style="text-align: center;">[publicado em <em>A Tardinha</em>, 17/10]</p>
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		<title>A moça da capa</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/08/a-moca-da-capa/</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 21:04:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficções]]></category>
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		<description><![CDATA[Sempre que lhe perguntavam sobre a profissão, respondia, orgulhosa: modelo fotográfico!
Vá lá que, desde o começo, só trabalhava para uma mesma revista informativa de circulação nacional, mas isso não a afetava nem de longe, muito pelo contrário: via aquilo como um contrato de exclusividade. E se havia uma coisa da qual ela sabia, era da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sempre que lhe perguntavam sobre a profissão, respondia, orgulhosa: modelo fotográfico!</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vá lá que, desde o começo, só trabalhava para uma mesma revista informativa de circulação nacional, mas isso não a afetava nem de longe, muito pelo contrário: via aquilo como um contrato de exclusividade. E se havia uma coisa da qual ela sabia, era da importância do seu trabalho; afinal, reportagem que se preze tem de ter fotografias ilustrativas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Vaidosa, sempre ao receber elogios, tratava de informar, falsamente modesta, que aquela era uma profissão como qualquer outra; que por trás de todo o glamour havia um trabalho árduo (e citava a matéria sobre esportes radicais, na qual ela, acrófoba, teve de fazer alpinismo e saltar de pára-quedas, sem sumir o sorriso – um trabalho de atriz!); com suas privações (gente, e as preocupações com a saúde? E o sofrimento com regimes e malhação, para manter a forma? Imagine se ela toma um porre numa festinha de sexta-feira à noite e é requisitada no sábado de manhã para fotografar – como estaria sua cara? E se, nessa festa, pisam forte no seu pé, e no dia seguinte contatam-na porque precisam ilustrar uma matéria sobre calçados?), etc. Mas, apesar de todos os entraves, ela gostava do que fazia, estava feliz na sua profissão. Uma modelo fotográfico!</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ah, mas quando lhe perguntavam sobre um sonho profissional não realizado, ela empalidecia um pouco e respondia: fazer capa. Logo explicava que era uma questão de tempo, pois mais de uma vez já acontecera de ser escolhida para pivô das fotos da reportagem de capa e, na hora H, os diagramadores resolverem optar por uma montagem ou desenho.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sim, questão de tempo. Não deu outra: mais tarde, lá estaria ela, de terninho com avental por cima, convidando o leitor a entender melhor a situação da mulher moderna. Naquele dia, sentiu-se extasiada. Apesar de estar há um bom tempo aparecendo pela revista, só depois de ser capa é que passou a ser reconhecida na rua. Era cumprimentada, dava autógrafos, tirava fotos e, principalmente, ouvia muitas cantadas. Aos amigos, dizia que era mesmo alguém especial.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para sua surpresa, ela fora tão elogiada pelos leitores, que a editora da revista informativa resolveu convidá-la, a pedidos, muitos pedidos, para ser capa da sua revista mensal de nu artístico feminino.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quem diria, hein?!</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ela topou, claro, e contou para os sempre curiosos amigos como era o ambiente no estúdio: uma equipe muito respeitadora, superprofissional e, ao mesmo tempo, com um clima familiar aconchegante. Aliás, foi exatamente essa descrição que ela usou num programa de auditório dominical do qual participara. Neste mesmo programa, após dar show no videokê, também revelou estar sendo sondada por um empresário competente para estrear como atriz ou cantora e, num futuro bem mais à frente, quem sabe até apresentadora, pois era importante experimentar novas vivências nas quais pudesse mostrar ao mundo seu talento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Entretanto, assim como a sorte vem&#8230; No mês seguinte, o número de abordagens na rua e convites para eventos diminuiu sensivelmente; além do mais, a revista informativa resolveu dar um tempo com seus serviços, pois achavam que modelos fotográficos para ilustrar reportagens não deviam ser tão expostas. Porém o mais chato mesmo foi quando passou em frente a uma banca de revistas e ouviu dois homens conversando, enquanto folheavam a nova edição daquela mesma revista de nu artístico feminino.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">– Rapaz, o que você achou da do mês passado, hein?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">– Ih, velho, no mês passado? Quem foi que posou, mesmo? Ah, não lembro, mas olhe, olhe esses peitinhos, meu amigo&#8230;</div>
<p>Sempre que lhe perguntavam sobre a profissão, respondia, orgulhosa: modelo fotográfico!</p>
<p>Vá lá que, desde o começo, só trabalhava para uma mesma revista informativa de circulação nacional, mas isso não a afetava nem de longe, muito pelo contrário: via aquilo como um contrato de exclusividade. E se havia uma coisa da qual ela sabia, era da importância do seu trabalho; afinal, reportagem que se preze tem de ter fotografias ilustrativas.</p>
<p>Vaidosa, sempre ao receber elogios, tratava de informar, falsamente modesta, que aquela era uma profissão como qualquer outra; que por trás de todo o glamour havia um trabalho árduo (e citava a matéria sobre esportes radicais, na qual ela, acrófoba, teve de fazer alpinismo e saltar de pára-quedas, sem sumir o sorriso – um trabalho de atriz!); com suas privações (gente, e as preocupações com a saúde? E o sofrimento com regimes e malhação, para manter a forma? Imagine se ela toma um porre numa festinha de sexta-feira à noite e é requisitada no sábado de manhã para fotografar – como estaria sua cara? E se, nessa festa, pisam forte no seu pé, e no dia seguinte contatam-na porque precisam ilustrar uma matéria sobre calçados?), etc. Mas, apesar de todos os entraves, ela gostava do que fazia, estava feliz na sua profissão. Uma modelo fotográfico!</p>
<p>Ah, mas quando lhe perguntavam sobre um sonho profissional não realizado, ela empalidecia um pouco e respondia: fazer capa. Logo explicava que era uma questão de tempo, pois mais de uma vez já acontecera de ser escolhida para pivô das fotos da reportagem de capa e, na hora H, os diagramadores resolverem optar por uma montagem ou desenho.</p>
<p>Sim, questão de tempo. Não deu outra: mais tarde, lá estaria ela, de terninho com avental por cima, convidando o leitor a entender melhor a situação da mulher moderna. Naquele dia, sentiu-se extasiada. Apesar de estar há um bom tempo aparecendo pela revista, só depois de ser capa é que passou a ser reconhecida na rua. Era cumprimentada, dava autógrafos, tirava fotos e, principalmente, ouvia muitas cantadas. Aos amigos, dizia que era mesmo alguém especial.</p>
<p>Para sua surpresa, ela fora tão elogiada pelos leitores, que a editora da revista informativa resolveu convidá-la, a pedidos, muitos pedidos, para ser capa da sua revista mensal de nu artístico feminino.</p>
<p>Quem diria, hein?!</p>
<p>Ela topou, claro, e contou para os sempre curiosos amigos como era o ambiente no estúdio: uma equipe muito respeitadora, superprofissional e, ao mesmo tempo, com um clima familiar aconchegante. Aliás, foi exatamente essa descrição que ela usou num programa de auditório dominical do qual participara. Neste mesmo programa, após dar show no videokê, também revelou estar sendo sondada por um empresário competente para estrear como atriz ou cantora e, num futuro bem mais à frente, quem sabe até apresentadora, pois era importante experimentar novas vivências nas quais pudesse mostrar ao mundo seu talento.</p>
<p>Entretanto, assim como a sorte vem&#8230; No mês seguinte, o número de abordagens na rua e convites para eventos diminuiu sensivelmente; além do mais, a revista informativa resolveu dar um tempo com seus serviços, pois achavam que modelos fotográficos para ilustrar reportagens não deviam ser tão expostas. Porém o mais chato mesmo foi quando passou em frente a uma banca de revistas e ouviu dois homens conversando, enquanto folheavam a nova edição daquela mesma revista de nu artístico feminino.</p>
<p>– Rapaz, o que você achou da do mês passado, hein?</p>
<p>– Ih, velho, no mês passado? Quem foi que posou, mesmo? Ah, não lembro, mas olhe, olhe esses peitinhos, meu amigo&#8230;</p>
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		<title>Do diário de uma futura defunta</title>
		<link>http://abreparentese.com/2009/08/do-diario-de-uma-futura-defunta/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 00:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ai, quase morro de emoção agora há pouco! Bom, não deixaria de ser irônico: é que meu caixão acaba de chegar da capital. Encomendei-o na melhor funerária do estado. Demorou uns três meses para ficar do jeitinho que eu queria, mas valeu a pena esperar. Ele está lá na sala, sendo admirado pelos filhos, netos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ai, quase morro de emoção agora há pouco! Bom, não deixaria de ser irônico: é que meu caixão acaba de chegar da capital. Encomendei-o na melhor funerária do estado. Demorou uns três meses para ficar do jeitinho que eu queria, mas valeu a pena esperar. Ele está lá na sala, sendo admirado pelos filhos, netos e vizinhos. É de cerejeira, branco, com tampa de vidro, para deixar o corpo inteiro à mostra; nas laterais há rosas douradas e o final do Salmo 23 – &#8220;Minha morada é a casa do Senhor por dias sem fim&#8221; –, em letras também douradas. Ai, como é lindo meu caixão! Dá até vontade de morrer logo. Brincadeirinha. Quero viver por muito tempo ainda. Sem contar que faltam muitos preparativos para o funeral. Agora, com sua licença, vou contemplá-lo mais um tiquinho.</p>
<p style="text-align: center;">_____</p>
<p style="text-align: left;">Minha filha bate, revoltada, à porta do quarto. Ela está fora de si, em prantos, falando disparates. Ora, qual é o mal de se comprar o próprio caixão? Já estou com 74 anos. Cedo ou tarde eu não teria um? Pois que seja do meu gosto. Tudo do meu jeito: caixão, mortalha, coroas de flores, velório, enterro e missa de sétimo dia. Já tenho quase tudo planejado. No velório, quero que distribuam balas de tamarindo na entrada, o sabor ajudará as pessoas a canalizarem a emoção certa para essas ocasiões: inconformidade e encantamento. Sim, senhor, é assim que deve ser.</p>
<p style="text-align: left;">Ainda não terminei de escrever a mensagem que virá impressa no convite da missa de sete dias; quero um texto bem bonito e tocante. Estou lendo muito para me inspirar. Gosto da maneira como a Henriqueta Lisboa aborda o tema morte. Já dos ultra-românticos, aqueles do mal-do-século, não gosto muito.  Também separei algumas reflexões shakespearianas sobre o assunto. &#8220;A imagem da morte deve ser como a imagem de um espelho que nos ensina o quanto a vida é um sopro passageiro.&#8221; (Oh, esse moço sabia das coisas.)</p>
<p style="text-align: left;">Minha filha parou de bater à porta, depois de ter ameaçado sair de casa com seus filhos, caso eu não devolvesse ou jogasse fora o meu caixão. Muito engraçado. Até parece que ela tem para onde ir. Quem sabe volta para a casa daquele biltre do ex-marido dela, que já a expulsou uma vez, e divide a cama com ele e a nova mulher. Será que ela não percebe que estou fazendo isto para poupá-la destas preocupações menores quando, ao contrário do que eu gostaria, ela desabar, tornar-se um caco físico e emocional perante a minha passagem?  Já meu filho não deu grande importância. Achou até engraçado. Soltou um “mamãe, você é louca!” e, cinco minutos depois, saiu para o futebol. Provavelmente vai trazer os amigos para verem meu lindo caixão. Ai, é melhor eu preparar uns petiscos e fazer um cafezinho.</p>
<p style="text-align: center;">_____</p>
<p style="text-align: left;">Ufa! Já é quase meia-noite, e não faz quinze minutos que a última visita saiu. Nossa, quanta gente! Espero que todos compareçam com o mesmo empenho no “dia oficial”.</p>
<p style="text-align: left;">Ai, estou tão entusiasmada!</p>
<p style="text-align: left;">Assisti ao meu primeiro enterro quando tinha três anos de idade – era o da minha bisavó. Apesar de ser muito novinha, lembro de algumas imagens, algumas cenas das quais eu participava como espectador ignorante. Lembro-me, por exemplo, das pessoas chorando; da minha avó e seus irmãos orando no quarto, ao redor do corpo jazido na cama; da minha mãe me abraçando forte e tampando meus olhinhos durante a passagem do caixão pela sala.</p>
<p style="text-align: left;">O segundo foi o da minha avó. Eu contava então com 12 anos. Ali que realmente captei a reação das pessoas diante da morte. Mas eu não compartilhava dos mesmos sentimentos delas; não sentia pena, tristeza ou indignação – apenas uma ligeira saudade adiantada, confesso. Achava, e acho, que vovó havia ido para um lugar melhor. Abalo mesmo foi ver minha mãe chorando, abraçada a mim do mesmo modo que eu me agarrava a ela na minha infância. E também me chocou uma discussão durante a preparação do cadáver. Minha mãe e minha tia-madrinha queriam usar um vestido branco, simbolizando a paz; uma outra tia minha, porém, jurava de pé juntos que vovó lhe confidenciara a vontade de ser enterrada com o vestido azul que usara no seu último aniversário. Por maioria de votos, o branco ganhou. Creio ter sido aí que, meio inconscientemente, jurei a mim mesma ser a organizadora do meu próprio funeral.</p>
<p style="text-align: left;">A propósito, eu pretendo ser enterrada de azul. Tenho um vestido perfeito para a ocasião, e já o estou adaptando para uma manipulação mais fácil, trocando os botões por velcro.</p>
<p style="text-align: left;">Desde os 40 eu pretendia comprar meu caixão, e depois minha vaga no cemitério. Mas meu finado marido, Afrânio, que Deus o tenha, nunca me permitiu. Ele tinha pavor de tocar no assunto morte. Nem lia nos jornais as reportagens envolvendo assassinatos ou acidentes fatais. Há três anos, faleceu. Foi uma trabalheira arranjar tudo de última hora! Menina de Deus, você não tem noção!</p>
<p style="text-align: left;">Agora que Afrânio não está aqui para se incomodar, resolvi me permitir este grande e antigo sonho. Meu funeral será divino!</p>
<p style="text-align: center;">_____</p>
<p style="text-align: left;">Não tenho ideia de que horas sejam. É tarde; já se passaram mais de duas horas desde a minha última anotação.</p>
<p style="text-align: left;">O fato é que eu não consigo dormir. Então decidi me levantar. Fiquei a escutar se havia barulho em casa, não há. Protegida pela madrugada, vou experimentar meu caixão. Dar uma deitadinha rápida, para ter uma prévia da sensação, saber se é apertado lá dentro, essas coisas. Mas acho melhor tomar uma caneca de café antes. Minha filha acorda cedo para ir trabalhar. Vai que eu adormeço no meu caixão, e ela se depara com a cena. Do jeito que é aquela ali, é bem capaz de ter um troço e cair morta. E eu não pretendo ceder meu caixão dos sonhos a ninguém, nem aos meus familiares mais íntimos.</p>
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		<title>A chacina do Limoeiro</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 05:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando eu entrei no gibi, me senti oco – como se tivesse perdido todos os órgãos, todo o meu sangue. A arma, presa na cintura, pareceu triplicar de peso, e a segurei para não cair. Então, algo cheirando a suor passou voando rente ao meu nariz e eu quase me desequilibrei. Um grito: Cebola! Vamo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu entrei no gibi, me senti oco – como se tivesse perdido todos os órgãos, todo o meu sangue. A arma, presa na cintura, pareceu triplicar de peso, e a segurei para não cair. Então, algo cheirando a suor passou voando rente ao meu nariz e eu quase me desequilibrei. Um grito: Cebola! Vamo, véi! Aquela voz de quem parecia ter um ovo na boca era minha conhecida. Ouvi-a muitas vezes num VHS de minha infância, <em>A rádio do Chico Bento</em>. Bons tempos. Quando o mundo parecia ter uma ordem clara e imutável; quando eu sabia que, depois da primeira série, o lógico seria ir para a segunda, e depois para a terceira, e quarta, e&#8230;</p>
<p>Agora, o caos. Cheguei ao terceiro ano e me disseram: Vá para onde quiser, conquanto seja para a universidade – e eu não soube escolher o que cursar, mas foi até bom, porque aí me disseram: Vá para o cursinho, até saber – e, por um instante, a ordem do mundo que eu conhecia pareceu voltar. Havia, contudo, qualquer coisa de frágil nela, e isto se revelou pela primeira vez quando o papa João Paulo II morreu. Ele, que eu julgava imortal. Dois anos depois, ACM, outro imortal, morre. Sandy &amp; Jr se separam. Todos estes pilares da minha infância sendo destruídos, e eu incapaz de fazer algo para impedir. Mas com a Turma da Mônica ia ser diferente. Eu não os deixaria crescer. Por isso entrei naquele gibi. Por isso &#8212; e por maior que fosse a vontade de abraçar o Cebolinha (meu predileto) quando o vi sair de casa e se aproximar do Cascão – por isso eu atirei. O mundo precisava voltar à sua ordem.</p>
<p>Passei pelos corpos caídos e parei no meio da rua. Saquei um bombom do bolso e o abri fazendo o maior ruído possível com a embalagem. A garota que meteu a cabeça para fora de casa só podia ser ela. Me olhou suplicante. Eu sorri e ofereci o doce com um gesto. Ela aceitou e sumiu da janela, mas não chegou a pôr os pés na rua: assim que a porta se abriu, o tiro a fez tombar para dentro.</p>
<p>Só restava a Mônica, e eu sabia que iria encontrá-la na primeira página. Tomei um atalho pelo rodapée cheguei a um quarto de menina adolescente, com pôsteres de galãs nas paredes e ursinhos nas prateleiras, disputando espaço com CDs. Vi dois pés de unhas pintadas se balançando na cabeceira alta da cama. Uma voz lia alguma coisa, e eu também conhecia a sua dona. Acerquei-me devagar, agachado. Espreitei por cima da cabeceira e vi um par de pernas roliças e desnudas, que terminavam numa calcinha azul-bebê, cujo coelhinho da estampa, com um olho tampado pela camisola desalinhada, parecia piscar para mim. Ouvi: Estou crescida – e não tive dúvidas. Repousei a arma no chão e pulei na cama, em cima das pernas da Mônica. Que, sim, estava crescida. E felizmente ainda não usava aparelho nos dentes.</p>
<p style="text-align: right;">[Publicado na revista <a href="http://www.revista-lupa.blogspot.com/" target="_blank">Lupa</a> #6, inverno/2009]</p>
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		<title>Os Gatunos</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 03:10:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[26/08/09] Este é o primeiro capítulo de uma novelinha inacabada, escrita pelos idos de 2006. Os outros capítulos existentes estavam aqui, mas eu acabo de deletá-los, já que não tive tempo para terminá-la. Espero algum dia dar o ponto final que ela merece.


I
Para os humanos, é apenas o campus de uma universidade, uma reserva florestal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>[26/08/09] Este é o primeiro capítulo de uma novelinha inacabada, escrita pelos idos de 2006. Os outros capítulos existentes estavam aqui, mas eu acabo de deletá-los, já que não tive tempo para terminá-la. Espero algum dia dar o ponto final que ela merece.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>I</strong></p>
<p>Para os humanos, é apenas o campus de uma universidade, uma reserva florestal incrustada de edifícios de designs esquisitos; mas para outras espécies trata-se de seu último refúgio. Onde mais, em plena cidade grande, poderiam viver em paz cachorros, patos, micos, gatos, etc.?</p>
<p>Viver em paz em relação aos homens, claro. Paz não é bem o que reina ali. Os tempos dourados, quando existia um restaurante universitário central, se foram. Não há mais a moleza de um grande prédio onde se concentra toda a comida. Agora, cada faculdade do campus tem sua própria cantina, e a maioria delas se localiza injustamente nos andares mais altos, longe do alcance dos bichos. (Mesmo o lixo é mantido lá em cima, e só desce para ir direto ao caminhão que o recolhe.) Deste modo, as espécies que antes viviam em harmonia &#8212; o que se pode chamar assim sem excluir seus instintos naturais &#8211;, atualmente travam uma Guerra Fria, uma guerra sem lutas, mas que pode partir para o conflito físico a qualquer momento. Tudo pelo controle dos poucos restaurantes localizados nos térreos.</p>
<p>Entre os gatos existe uma figura lendária &#8212; Bósis, O Pançudo. É um belo felino de pelos negros, com manchas brancas nas patas, nas orelhas, barriga, rabo e focinho; impávidos olhos amarelos; garbos bigodes. Orgulha-se sobretudo de ser gordíssimo, pois, no seu entender, a obesidade transmite impressão de poder e fartura. Seu prestígio e fama já correram o campus tal qual os de Alexandre, O Grande correram o mundo. E merecidamente, diga-se, posto que Bósis, antes de ser O Pançudo, demonstrou-se um talentoso estrategista e líder durante a Guerra dos Gatos, um dos eventos mais brutais que já aconteceu no campus, e que o dever, mais que o desejo, me obriga a narrá-lo:</p>
<p>Na cantina da Faculdade de Matemática, hoje fechada, havia um estudante alérgico a gatos, que gritava sempre para o dono do estabelecimento que se livrasse daqueles &#8220;animais nojentos&#8221;. A cantina de Matemática era um dos dois pontos exclusivos dos gatos; só eles podiam circular por ali, miando e fazendo caras de coitadinhos*, no intuito de descolar alguma comida fácil e assim não precisarem partir para a caça aos ratos do local. Um dia, o estudante alérgico, em meio a uma forte crise de espirros, arrancou uma perna de uma mesa de plástico e atacou os gatos. Havia oito, dos quais cinco eram filhotes, na ocasião. Um dos pequenos morreu, e os outros quatro saíram com as patas quebradas.</p>
<p>Oh, aquilo exigia retaliação!</p>
<p>Os gatos convocaram uma assembleia para discutir o que fariam, e foi nela que o jovem e ousado Bósis impressionou a todos com seu plano brilhante: sujar a cantina com tanto cocô e xixi que ninguém ficasse indiferente à indignação dos gatos.</p>
<p>Assim foi feito. E apesar de parecer um plano essencialmente simples, não se engane: exigiu um esforço sobrefelino dos gatos, pois, como todos sabem, essa espécie é notória por sua higiene. Cocô e xixi, só em lugares onde se possa cobri-los com terra.</p>
<p>A princípio, não havia gatos suficientes para que a retaliação atingisse as proporções planejadas. E aí Bósis se destaca mais uma vez, por ter conseguido apoio mesmo dos pacatos cachorros e dos egoístas micos, que nunca se solidarizavam com as causas alheias.</p>
<p>Ao pobre estudante, também estava reservado seu quinhão no atentado. Por onde andava e sentava esbarrava-se com um cocô. Os micos, em especial, deram-lhe vários banhos de xixi quando este passava por debaixo de alguma árvore.</p>
<p>Mas a Guerra dos Gatos teve um fim imprevisto: por diversos motivos &#8212; que iam de medo de um segundo atentado até mesmo a consideração para com os gatos &#8211;, os estudantes passaram a não mais frequentar a cantina da Faculdade de Matemática, que foi obrigada a fechar. E o antes adorado Bósis recebeu a ojeriza de seus iguais, que o culpavam por ter perdido um dos dois pontos somente deles.</p>
<p>Magoado, Bósis decidiu abandonar a política e adentrar o submundo, dedicando-se, a partir de então, somente a causas de seu interesse.</p>
<p>E assim nasceu a máfia felina Os Gatunos.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">
<p style="margin-bottom: 0cm;">
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<p style="margin-bottom: 0cm;"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="es-ES"><span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">* Como é sabido, os gatos em geral não são nada bons em fazer cara de coitadinho. Mas os do campus são uma exceção, graças a um curso com o renomado fisionomiologista canino Estanislavisque (os cachorros são mestres nesta arte).</span></span></span></span></span></span></p>
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		<title>10 memoráveis começos de romances</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 01:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma das primeiras coisas que faço ao ter um livro em mãos é ler sua frase inicial. Não é raro que eu ignore orelhas e as aspas da contracapa. Quando estou na livraria, olhando títulos aleatoriamente, apanho uma obra, leio sua primeira frase ou primeiro parágrafo, devolvo-a à estante e passo para a seguinte. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das primeiras coisas que faço ao ter um livro em mãos é ler sua frase inicial. Não é raro que eu ignore orelhas e as aspas da contracapa. Quando estou na livraria, olhando títulos aleatoriamente, apanho uma obra, leio sua primeira frase ou primeiro parágrafo, devolvo-a à estante e passo para a seguinte. A frase inicial é, mesmo, um dos principais fatores de decisão na hora da compra.</p>
<p>Ao comentar tal idiossincrasia no <a href="http://www.twitter.com/bfernandes" target="_blank">Twitter</a>, o amigo <a href="http://www.twitter.com/LeoPastor" target="_blank">Leonardo Pastor</a>, do <a href="http://www.viscerasliterarias.com/2009/02/100-melhores-primeiras-frases-de.html" target="_blank">Vísceras Literárias</a>, me enviou um link com um <a href="http://americanbookreview.org/100BestLines.asp" target="_blank">top 100 de melhores inícios de narrativas</a>, feito pela American Book Review. Com a modéstia que cabe à situação, decidi fazer a minha própria lista, mas não com 100 itens, apenas 10. A bem da verdade, não é propriamente um top, já que não pretendo, nem faz sentido, estabelecer uma classificação de superioridade para os excertos abaixo. Fui-os elencando à medida que me vinham à mente. São todos memoráveis.</p>
<p style="text-align: left;">Admito: sou interno de um hospício.<br />
[Günter Grass, <em>O Tambor</em>]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Certa manhã, depois de despertar de sonhos conturbados, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.<br />
[Franz Kafka, <em>A Metamorfose</em>]</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.<br />
[Gabriel García Márquez, <em>Crônica de uma Morte Anunciada</em>]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira.<br />
[Leon Tolstoi, <em>Anna Karenina</em>]</p></blockquote>
<p>O meu dono, Baltazar Van Dum, só sentiu os calções mijados cá fora, depois de ter sido despedido pelo director Nieulant.<br />
[Pepetela, <em>A Gloriosa Família</em>]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Contudo, nunca foi bem estabelecida a primeira encarnação do Alferes José Francisco Brandão Galvão, agora em pé na brisa da Ponta das Baleias, pouco antes de receber contra o peito e a cabeça as bolinhas de pedra ou ferro disparadas pelas bombardetas portuguesas, que daquia pouco chegarão com o mar.<br />
[João Ubaldo Ribeiro, <em>Viva o Povo Brasileiro</em>]</p></blockquote>
<p>Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.<br />
[José de Alencar, <em>Iracema</em>]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.<br />
[José de Alencar, <em>Senhora</em>]</p></blockquote>
<p>Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico com saudosa lembrança estas &#8220;Memórias póstumas&#8221;.<br />
[Machado de Assis, <em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em> -- dando função literária à página de dedicatória]</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis.<br />
[Patrick Süskind, <em>O Perfume</em>]</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>O amor, este desastre</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 15:37:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cão sem Dono]]></category>
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		<category><![CDATA[Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios]]></category>
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		<description><![CDATA[“Nenhuma vida está completa sem um grande desastre”, afirma o professor Benjamim Schianberg em seu livro O que vemos no mundo. Em Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios [Cia. Das Letras, 229 p., R$ 41,50], de Marçal Aquino, o desastre é o amor.
É uma história simples: Cauby é um fotógrafo paulista morando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img align="right" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2009/07/pioreslabios.jpg"  width="180" height="180" />“Nenhuma vida está completa sem um grande desastre”, afirma o professor Benjamim Schianberg em seu livro<em> O que vemos no mundo</em>. Em <em>Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios</em> [Cia. Das Letras, 229 p., R$ 41,50], de Marçal Aquino, o desastre é o amor.</p>
<p>É uma história simples: Cauby é um fotógrafo paulista morando numa cidade de garimpo do Pará. Um dia, conhece Lavínia, por quem se apaixona. Ela é casada e tem dupla personalidade, mas é a primeira pessoa por quem Cauby sente aquilo, ele vai encarar os riscos.</p>
<p>Nos últimos anos, o escritor paulista Marçal Aquino tem se destacado mais nos roteiros de cinema. Já [co-]assinou sete longas, entre os quais <em>O Invasor</em>, <em>Nina</em>, <em>O Cheiro do Ralo</em> e <em>Cão Sem Dono</em>. Com tal currículo, poderíamos esperar um romance com forte pegada cinematográfica, mas, ao que parece, ele sabe bem distinguir o que é próprio de cada linguagem: Aquino mostra a força da palavra numa trama de ritmo ágil, cheia de parágrafos curtos e incivisos. E com humor bem peculiar, a começar pelo nome do protagonista — Cauby — como o cantor?, é! — , pelo tresloucado professor Benjamim Schianberg e seu ensaio sobre a vida citado a todo momento, ou mesmo pelos títulos dos capítulos — “O amor é sexualmente transmissível”, “Postais de Sodoma à luz do primeiro fogo”.</p>
<p>Além do mais, ele consegue dar um desfecho que surpreende e comove, que nos faz manter os cantos dos lábios suspensos até o ponto final. E, depois, pôr o livro sobre o peito e olhar pro teto, pensando em nossos próprios desastres. Digo, amores.</p>
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		<title>Abr&#8217;a porta dos teus mares</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 04:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Castro Alves. Não o convidarei, bonito leitor, a conhecer a vida e obra de Castro Alves só porque ele é um dos [poucos] gênios baianos da literatura. Quero que você se sinta tocado pela sua poesia. Então, o seguinte: Antes de continuar esta leitura, vá ao Google, ou à sua estante, ou a uma biblioteca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Castro Alves. Não o convidarei, bonito leitor, a conhecer a vida e obra de Castro Alves só porque ele é um dos [poucos] gênios baianos da literatura. Quero que você se sinta tocado pela sua poesia. Então, o seguinte: Antes de continuar esta leitura, vá ao Google, ou à sua estante, ou a uma biblioteca – onde quer que possa encontrar seus poemas. Fico na espera. Pronto? Que tal escutar <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1Osbp0IMYRM" target="_blank">O navio negreiro</a></em>, com Caêts e Bethânia, pra efeitos de ambientação? É o que estou fazendo.</p>
<p>Dois poemas vou mostrar.  <em>Fatalidade</em> ele talvez tenha feito para se desculpar com Eugênia, após uma briga:</p>
<p align="center"><em>Pálido e triste, atravessei a vida<br />
Sempre orgulhoso, concentrado e só&#8230;<br />
É que eu sentia que um fadário estranho<br />
Meus sonhos todos reduzia a pó.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Mas tu vieste&#8230; E acreditei na vida&#8230;<br />
Abri os braços&#8230; caminhei pr&#8217;a luz&#8230;<br />
E a borboleta da fatal crisálida<br />
Soltou as asas pelos céus azuis.</em></p>
<p>Em <em>Mocidade e morte</em>, quando de uma das primeiras hemoptises, disse:</p>
<p style="text-align: center;"><em>Oh! Eu quero viver, beber perfumes<br />
Na flor silvestre, que embalsama os ares;<br />
Ver minh&#8217;alma adejar pelo infinito,<br />
Qual branca vela n&#8217;amplidão dos mares.<br />
[...]<br />
Mas uma voz responde-me sombria:<br />
Terás o sono sobre a lájea fria.</em></p>
<p>Deixo aqui outros títulos, como a delicada <em><a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/castro54.htm" target="_blank">Cestinha de costura</a></em>; a epopéica <em><a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/castrobio6.htm" target="blank">Cachoeira de Paulo Afonso</a></em> ou a sublime <em><a href="http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/castro15.htm" target="_blank">Adeus</a></em>. Se, por mínimo que seja, esses poemas te tocaram, então talvez você se interesse em ler uma leve biografia, escrita recentemente por Alberto da Costa e Silva:<em> Castro Alves  &#8212; Um poeta sempre jovem</em> [Cia. das Letras, 200 p., R$34,50].</p>
<p align="center"><br \>[publicado no caderno Dez! em 05/02/08]</p>
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