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	<title>abre parêntese ( &#187; TV</title>
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		<title>[entrevista] Herbert Richers Jr.: &#8220;O público quer ver filme dublado&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 21:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em abril de 2010, quando ainda estava no A TARDE, comecei a elaborar uma matéria sobre a linguagem dos desenhos animados, usando como gancho o então recém lançado Animaq – Almanaque dos Desenhos Animados (Matrix, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_637" class="wp-caption alignleft" style="width: 94px"><img class="size-full wp-image-637 " style="margin: 5px;" title="Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2011/01/Close-Up.png" alt="Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal" width="84" height="125" /><p class="wp-caption-text">Herbert Richers Jr. / Acervo pessoal</p></div>
<p>Em abril de 2010, quando ainda estava no A TARDE, comecei a elaborar uma matéria sobre a linguagem dos desenhos animados, usando como gancho o então recém lançado <em><a href="http://compare.buscape.com.br/animaq-almanaque-dos-desenhos-animados-9788577881468.html?pos=1" target="_blank">Animaq – Almanaque dos Desenhos Animados </a></em>(Matrix, 320 p., R$ 45), do jornalista Paulo Gustavo Pereira. Uma das pessoas com as quais me senti no dever de ouvir, para a reportagem, foi Herbert Richers Jr., 54, quem hoje está à frente do estúdio de dublagem que o Herbert Richers pai (1923-2009) fundou em 1956 e de cuja vinheta &#8212; &#8220;versão brasileira: Herbert Richers&#8221; &#8212; está grudada para sempre na memória de tanta gente.</p>
<p>Infelizmente, como é tão comum no jornalismo, a matéria não chegou a ficar pronta. Porém a história por trás Herbert Richers S/A é tão bacana, que não posso deixar de compartilhá-la. Eis, abaixo, a entrevista com Herbert Richers Jr.</p>
<p>Antes, um <em>spoiler: </em>Herbert Richers pai nunca dublou nada. Frustrante? Não responda sem ler até o final:</p>
<p><strong>Como surgiu a Herbert Richers S/A?</strong></p>
<p>Papai [<em>nascido em Araraquara, São Paulo</em>] veio para o Rio com 17 anos, trabalhar no laboratório do meu tio-avô <a href="http://books.google.com.br/books?id=cqt35OogAQYC&amp;lpg=PA461&amp;ots=1jTN-UU2H5&amp;dq=Alexandre%20Wulfes&amp;pg=PA574#v=onepage&amp;q=Alexandre%20Wulfes&amp;f=false" target="_blank">Alexandre Wulfes</a> [<em>FAN Filmes</em>]. Era o maior laboratório de cinema daquela época no Rio. Ali ele aprendeu tudo de fotografia e, depois, começou a fazer direção de fotografia no telejornal da <a href="http://www.atlantidacinematografica.com.br/sistema2006/historia.asp" target="_blank">Atlântida</a>, para o <a href="http://www.kinoplex.com.br/empresa.asp" target="_blank">Luiz Severiano Ribeiro</a>. Quando se casou com a minha mãe, pediu um aumento para o Severiano, o Severiano não deu, ele falou: &#8220;Então eu vou ser seu concorrente&#8221;. (Era o que ele contava, não sei o quanto há de verdade nesta história.) Foi quando ele saiu, em 1950, e montou uma empresa de telejornais na qual produzia o <em>Jornal da Tela</em>, de enorme sucesso. Ele era muito ágil; para se ter uma ideia, o jogo da tarde do Maracanã passava à noite no cinema [<em>ainda não havia TV, os telejornais eram exibidos diariamente nos cinemas</em>]. Além do mais, ele montou uma rede de distribuição no Brasil para difundir o <em>Jornal da Tela</em>. E aí as pessoas do cinema falaram: &#8220;Puxa, Herbert, a coisa mais complicada, que é uma distribuidora, você tem. Por que você não começa a fazer longametragem?&#8221; Ele resolveu experimentar e produziu <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Xva9dcIXhb0" target="_blank">Sai de Baixo</a></em> (1956) com um orçamento muito pequenininho. Como deu certo, fez muito sucesso, ele continuou a produzir chanchadas. A Herbert Richers chegou a produzir oito filmes por ano, nas décadas de 1950 e 1960. E não tinha lei de incentivo, era bilheteria. Eram, aliás, essas chanchadas que pagaram <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9eDeIKxZ48c" target="_blank">Vidas Secas</a> </em>(1963), <em><a href="http://www.65anosdecinema.pro.br/1618-FOME_DE_AMOR_(1968)" target="_blank">Fome de Amor</a></em> (1968), <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qhO_PrwShIw" target="_blank"><em>O Assalto Ao Trem Pagador</em></a> (1962) &#8212; filmes que ele também produziu.</p>
<p><strong>E quanto às dublagens?</strong></p>
<p>A dublagem começou porque o som direto nas cenas externas era muito ruim e era muito caro de fazer, então papai dublava tudo o que não era feito em estúdio. Para isso ele montou o estúdio de dublagem.  Quando o Walt Disney veio ao Brasil, pela <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Truman" target="_blank">campanha de ufanismo e cooperação que houve após a II Guerra Mundial</a>, eles ficaram amigos e, naquela época, o Disney costumava levar todo o elenco para os Estados Unidos, para dublar seus filmes. Ao conhecer papai, ele propôs: &#8220;Por que você não começa a dublar para mim?&#8221; E assim comecou a história das dublagens. Em 1970, quando chegou a inflação absurda, a bilheteria não pagava mais nada, e papai nunca acreditou em dinheiro subsidiado; assim ele enjoou da produção, dizia: &#8220;Quando voltar a haver uma indústria, e isto voltar a ser um negócio, no qual a bilheteria paga a produção, eu volto a produzir.&#8221;</p>
<p><strong>Naquela época já havia dubladores aptos para o trabalho?</strong></p>
<p>Não. A grande maioria da primeira leva de dubladores era formada por atores de rádio, depois da TV. Todos aprenderam fazendo. Se por um lado havia a experiência de dublar os filmes feitos aqui, agora o desafio era proporcionar a ilusão de que o ator estrangeiro estava falando em português.</p>
<p><strong>Teu pai dublava também?</strong></p>
<p>Nunca dublou nem dirigiu. Ele era um empresário.</p>
<p><strong>As novas tecnologias tornaram prescindível o bom dublador?</strong></p>
<p>A dublagem hoje tem recursos incríveis, como o <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pro_Tools" target="_blank">Pro Tools</a></em>, que põe no lugar a fala, encurta, estica&#8230; Você tem uma tecnologia que faz quase milagres, que põe cantor que desafina afinado, e por aí vai, mas um bom ator de dublagem e insubstituível. Sempre vai ser.</p>
<p><strong>Existe alguma richa entre dubladores e atores?</strong></p>
<p>Não, porque todos os dubladores são atores.  Havia preconceito, disso sim já ouvi falar, mas hoje 100% dos atores de dublagem são atores de teatro e TV, embora muitos vivam só de dublagem, porque atualmente se paga muito bem. Aliás, bons dubladores são bons atores, mas a recíproca não é verdadeira.</p>
<p><strong>Como alguém pode se tornar um ator de dublagem?</strong></p>
<p>Hoje há escolas nas quais se ensinam as técnicas. É difícil dar o tom certo emoção, por as vogais nos lugares.</p>
<p><strong>Como anda o mercado para as empresas?</strong></p>
<p>Dubla-se menos filmes que antigamente, quando você tinha só canais abertos e a maior parte do que passava neles era enlatado. Hoje em dia, quase todo o conteúdo tem produção nacional. Você não tem mais enlatado na TV aberta, e o da TV a cabo é legendado. Houve um tempo em que havia um mercado grande no DVD, mas, com a pirataria e a internet, esse mercado acabou, a venda do DVD não paga mais a dublagem. Hoje se dubla mais para o cinema, é um mercado em ascensão. O público quer ver filme dublado.</p>
<p><strong>No Brasil?!</strong></p>
<p>No Brasil! Talvez o público da zona sul do Rio de Janeiro, dos Jardins de São Paulo &#8212; talvez este público, culturalmente, não aprecie a dublagem, mas a maioria sim, porque, por mais rápido que você leia,  você perde algo.  Filmes não são feitos para ter legenda.</p>
<p><strong>Há quem argumente que a dublagem te tira a possibilidade de apreciar o trabalho vocal dos atores: impostação, emoção, etc.</strong></p>
<p>Aí é uma questão de escolha, o que você prefere perder: a imagem ou a interpretação original? Eu acho que o custo-benefício da legenda é pior. Você se lembra de <em>Família Dinossauro</em>? Pois a dublagem brasileira era considerada pela Disney melhor que o áudio original. Lembra do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=w0aps6rE1aM" target="_blank">bebê que falava &#8220;de novo&#8221;</a>? Se ouvir o original, não tem tanta graça. Outro exemplo é o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=I8xz3fyu2EQ" target="_blank">Dr. Smith, do <em>Perdidos no Espaço</em></a>, a voz nacional é melhor que a americana, mais engraçada. As pessoas também falam das novelas mexicanas, mas assista à novela em espanhol para você ver &#8212; a dublagem melhora a novela, e muito. O Brasil faz um dos melhores trabalhos de dublagem do mundo.</p>
<p><strong>Vocês atendem a partir da demanda dos canais ou trabalham com estúdios?</strong></p>
<p>A gente trabalha com estúdios. Algumas emissoras às vezes compram material que não tá dublado. Antgiamente, o SBT e a Globo, principalmente a  Globo, faziam muito isso. Hoje em dia quem contrata a dublagem é o produtor &#8212; é a Warner, a Metro, a Disney, etc.</p>
<p><strong>Migrando o assunto para o âmbito dos desenhos animados, li o prefácio que você escreveu para o <em>Animaq </em>e percebi o quanto você os aprecia. Quais particularidades você destacaria na linguagem dos desenhos animados?</strong></p>
<p>O desenho pode qualquer coisa e, hoje com as novas tecnologias, tudo tá virando desenho animado. <em>Avatar </em>(2010) é a maior prova disso. O grande salto de <em>Avatar </em>é ele ser um grande filme de animação que não parece ser filme de animação.</p>
<p><strong>Como você explica o fato de, até os anos 1980, haver predominantemente produções norte-americanas na TV brasileira, e de repente vir um bum do Japão?</strong></p>
<p>Todos os produtos japoneses que nós aqui dublamos foram via distribuidoras americanas. A difusão de produtos para a TV tem se dado assim: ou o exibidor vai às feiras, os compra e paga a dublagem, ou uma companhia (quase sempre americana) compra o formato e o distribui. Os japoneses, até hoje, não têm uma grande rede de distribuição. Sem contar o advento das multinacionais: companhias de animação de origem americana atuando no Japão e estúdios de origem japonesa atuando nos EUA, como a Sony. Mas, falando do início, os japoneses se firmaram fazendo animações muito baratas, nos moldes do <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ALzDcMDhf2o" target="_blank">Speed Racer</a>, </em>que foi a primeira grande animação japonesa no Brasil. Era muito barata porque continha poucos movimentos, cenários simples, e ainda era computadorizada, já naquela época.</p>
<p><strong>Por fim, como fã, quais desenhos que passam ou passaram na TV brasileira fizeram história?</strong></p>
<p><em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JUi7K2RMR1s" target="_blank">A Pantera Cor-De-Rosa</a></em>, que, quando começou a passar, nos anos 1960, era muito moderno; e também <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DC5YMHYKEbw" target="_blank">Caverna do Dragão</a></em>, nos anos 1980, que provocou uma febre na audiência.</p>
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		<title>Dream of Californication</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 06:54:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Fernandes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="margin: 5px;" src="http://abreparentese.com/wp-content/uploads/2009/04/hankmoody.jpg" alt="" width="267" height="400" align="left" />Depois de esperar dez temporadas de <em>Arquivo-X</em> na expectativa de vê-lo dando uns pegas na Scully, depois de me decepcionar com o insosso beijo sem língua que eles trocam no final do último episódio, qual não foi minha surpresa ao ver o Ag. Mulder (David Duchovny), no piloto da série <em>Californication</em> (2007-), tendo sonhos eróticos com freiras e pegando ninfetas de 16? Sensacional.</p>
<p>Em <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0904208/" target="_blank">Californication</a></em>, criado por Tom Kapinos (<em>Dawson&#8217;s Creek</em>), Duchovny é o escritor Hank Moody, um maldito, cuja vida degringolou após deixar a cinzenta Nova Iorque pela ensolarada Los Angeles, para trabalhar na adaptação de seu best-seller, <em>God Hates Us All</em> (<em>Deus Odeia Todos Nós</em>), e vê-lo ser transformado em uma comédia romântica com o ridículo título de <em>This Crazy Little Thing Called Love</em> (<em>Essa Coisinha Chamada Amor</em>). Fossem outros os tempos, Moody, esse &#8220;cara analógico num mundo digital&#8221;, talvez resolvesse se vingar de Hollywood com um romance ácido, mas o problema &#8212; o problema maior, de fato &#8212; é que ele está na crise da meia-idade, e tenta o tempo inteiro revertê-la, ou melhor, esquecê-la, entorpecendo-se com álcool e cigarros; sobretudo após a mulher da sua vida, Karen (Natascha McElhone), ter se separado dele para ir morar com outro, levando junto a sua adorada filhinha gótica Becca (Madeline Zima), 12.</p>
<p>Eu até me enveredaria por uma comparação de Moody com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski" target="_blank">Bukowski</a>, mas, para ficar no universo de séries, em algum grau, ele lembra também o dr. House. Ambos são personagens inteligentes, de ironia refinada, solitários e com um problema que só eles podem resolver, embora este problema seja a origem do seu charme. Mas<em> Californication</em> tem uma estética mais <em>underground</em>, tosca, desde a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=cGviLrbAz80" target="_blank">abertura</a> com imagens em super-8 (?); seus personagens são mais caricatos &#8212; destaque para o punheteiro Charlie Runkle (Evan Handler), agente de Moody, e sua esposa Marcy (Pamela Adlon), com seu molejo de Queen Latifa branca &#8211;; e o sexo é sempre um dos temas principais, com cenas de nu e piadas sobre paus, xoxotas e orgasmos. Ah, as piadas! Os diálogos são muito, muito bons. As cenas de Moody com Becca, que é uma versão em miniatura do pai, são antológicas.</p>
<p>Não sei como anda a repercussão da série, que parte para a terceira temporada agora em 2009. Aqui se fala pouco. Os três ou quatro fãs que conheci eram, como eu, caras que, sob algum aspecto, se identificavam com o protagonista. Tudo bem. Moody gostaria de saber que ele é Lado C.</p>
<p align="center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/4zarPHvSd1A&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/4zarPHvSd1A&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
Californication:<em>cenas selecionadas do piloto</em></p>
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