Cidadão Reggae
Um vendedor de cartões telefônicos que é especialista em cinema
“Eu soube que ia passar Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica, no antigo Teatro Maria Bethânia, no Rio Vermelho. Fui lá e pedi à proprietária, dona Gilda Carvalho, para entrar de graça. Ela deixou. Esse filme gira em torno de um roubo. Quando terminou, nunca mais quis ser ladrão na minha vida!”
.
Publicado originalmente na e-zine cultural Nacocó, 2007.
_____________________________________________________
Noite dos Maquiados
Uma noite com a drag queen Valerie O’rarah
“— IMUUUUUUUUUUUUUNDAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! — grita Lizz Barum, surgindo no camarim de aproximadamente 10m² pela entrada do palco e juntando-se à festança que está acontecendo ali.
— IMUUUUUUUUUUUUUNDAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! — gritam todos para todos. Valerie, que estava sem peruca, retocando a maquiagem, o faz encarando o espelho.
— Olha, ela veio de jaquatirica! — zomba Ivonelly da roupa da colega.
— Olha o pingente da imuuuunda! Rainha majestade! — comenta Valerie, virando-se e tocando o pingente.
Além delas, estão Sandra Lee, sentada ao lado da mala vermelha com todos os acessórios que precisam; Suzzy D’Costa, agora de peruca ruiva, numa escada próxima, e dois homens: o cozinheiro Junior e o estilista Marcelo Moura. Juntos, também conhecidos como a Grande Família Imuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuunda.
— Nelly, tem slogan novo? — pergunta Sandra Lee.
— Que tal esse, minha filha: Ivonelly Boca Quente: na temperatura do cliente!”
Publicado originalmente na e-zine cultural Nacocó, 2007.
_____________________________________________________
Uma pirueta, duas piruetas — bravo, bravo
A história da ginástica olímpica contada junto à história do hexacampeão baiano José “Mion” de Carvalho
“Naquela sexta, Mion encarou pela primeira vez um duplo estendido no solo, movimento que consiste em correr, dar uma pirueta para frente com o apoio das mãos (rondante), dar uma segunda, já girando o corpo para trás (flick) e, por fim, dar um altíssimo mortal de costas, com o peito apoiado nas pernas, por sua vez estendidas, até cair no colchão, de pé, numa pose graciosa. É um movimento difícil e perigoso, e antes de se arriscar a fazê-lo como deve ser feito na competição, o treinador preparara o atleta utilizando um monte de colchões, para ensiná-lo as maneiras corretas de cair, sem se machucar.”
Publicado originalmente no Blog do Dez!, 2007.



